12 de março de 2025 às 11:13
No panorama corporativo brasileiro, poucas trajetórias são tão emblemáticas quanto a de Anna Chaia. Discreta e metódica, construiu uma carreira que a posicionou como uma das executivas mais respeitadas do país, desbravando caminhos em universos predominantemente masculinos.
Em uma sondagem informal conduzida pela EXAME junto a executivos do mercado e especialistas em recrutamento de alto escalão, seu nome é uma quase unanimidade.
Um reconhecimento que não vem do acaso, visto que sua jornada profissional reflete não apenas competência técnica, mas uma capacidade singular de equilibrar desafios pessoais e profissionais, incluindo a maternidade, que para muitas mulheres ainda representa um impasse.
O percurso que fez de Anna a escolhida para inaugurar o especial de trajetórias femininas neste mês da mulher, em que elas protagonizam entrevistas especiais diariamente, foi construído a partir do pontapé inicial quando começou na American Express.
"Foi uma escola de negócios na prática", lembra ela. "Ali entendi a importância de compreender cada aspecto da operação, de valorizar o rigor nos processos e, principalmente, de construir relacionamentos genuínos", conta Anna.
Anos mais tarde, tornou-se trainee da Unilever. "Dei alguns passos para trás para dar mais passos para frente no futuro, com consistência", revela, demonstrando que o movimento aparentemente arriscado era, na verdade, uma jogada calculada.
A aposta deu certo. Em uma ascensão progressiva e sólida, chegou à direção de marketing e negócios da Natura onde, aliás, o desejo de ocupar uma presidência começou a se manifestar.
Rumo ao C-level, assumiu então a vice-presidência de marketing da Whirlpool e o comando de operações de marcas globais no Brasil. E tempos depois, fez história -- quando, antes de completar 40 anos, se tornou presidente das operações brasileiras da Swarovski.
De lá, assumiu também a principal liderança da L'Occitane no país e, ao deixar a marca francesa, tomou as rédeas da Samsonite para toda a América do Sul - e cravou um recorde como uma das brasileiras que mais ocuparam cadeiras de CEO no país.
Quanto ao avanço das mulheres em posições executivas, Anna mantém-se otimista. "Vejo hoje um ambiente muito mais receptivo para elas do que quando iniciei minha carreira", diz.