19 de março de 2025 às 13:21
Do coração do Rio de Janeiro, uma advogada paulistana com larga experiência no mercado financeiro tem redefinido o que significa fazer filantropia no Brasil, trilhando uma trajetória marcada por uma série de transformações pessoais, em que o luto foi convertido em propósito.
Trata-se de Cristiane Sultani, uma das grandes representantes brasileiras de uma nova geração de filantropos, que buscam transformar a forma como o capital privado pode gerar e escalar impacto social sustentável.
Sua carreira teve início aos 19 anos, como estagiária na Bolsa de Valores de São Paulo. De lá, passou por bancos de investimento e family offices. Passou pelo BBA e Itaú até assumir a liderança do family office de seu então marido, Pedro Fischer, no Rio de Janeiro.
A virada, e uma transformação profunda, vieram há cerca de quatro anos, com o falecimento de Pedro em decorrência de um câncer devastador. Em meio à dor da perda, Cristiane encontrou um novo caminho.
Nascia assim, o Instituto Beja, organização filantrópica, que fundou em dezembro de 2021 como uma forma de honrar o marido.
Ao ser fundado, o Beja tinha como foco três causas centrais: geração de renda (com ênfase em mulheres negras), combate à violência doméstica feminina e educação infantil. Desde então, o Beja já investiu R$ 36 milhões a partir do policapital.
Os investimentos, Cristiane destaca, não são apenas financeiros. Envolvem também um trabalho contínuo de advocacy e colaboração entre diversos setores da sociedade. "Ao longo dessa jornada, fomos além das doações ao participar ativamente de coalizões e outras iniciativas", diz.
A atuação de Cristiane Sultani também se estende à área de justiça racial, tema cada vez mais importante no contexto brasileiro. Através do Beja, participou da construção do Fundo USP Diversa, que visa apoiar a permanência de estudantes negros na Universidade de São Paulo.
A primeira doação do Instituto Beja ao Fundo foi de R$ 5 milhões, em um evento que contou com a participação da Dra. Ludhimila Hajjar, professora da USP, e Marisa Monte, cantora e patrona do Fundo USP Diversa.
Cristiane é também uma expoente e defensora do protagonismo feminino na filantropia. Ela observa que, embora o movimento de mulheres filantropas esteja crescendo globalmente, no Brasil ainda há um espaço considerável para filantropas explorarem.