Tecnologia

Como Edward Snowden vê a lei de proteção de dados pessoais no Brasil

Ele criticou a prática de empresas, como Facebook e Google, que colocaram avisos breves sobre a nova lei europeia em seus serviços

Edward Snowden, ex-agente da NSA (Reprodução/Getty Images)

Edward Snowden, ex-agente da NSA (Reprodução/Getty Images)

Lucas Agrela

Lucas Agrela

Publicado em 23 de agosto de 2018 às 14h30.

Última atualização em 23 de agosto de 2018 às 15h38.

São Paulo – Edward Snowden acredita que as empresas de tecnologia podem se beneficiar do fato de terem advogados bem preparados para proteger seus interesses e evitar multas por violação das leis de proteção de dados pessoais. Em vigor na Europa, a chamada GDPR ganhou uma versão semelhante no Brasil, prevista para entrar em vigor em 2020. Durante o EXAME Fórum Segurança da Informação, Snowden, conhecido por denunciar um programa de monitoramento em massa nos EUA, expressou otimismo com a visão do judiciário brasileiro sobre o caso.

"Se o juízes e as cortes entenderem que as empresas de tecnologia têm os advogados mais caros do mundo, que entendem bem a razão de ser da lei e sabem que eles tentam violar essa intenção, e multarem as empresas de tecnologia por isso, a lei da União Europeia pode ser muito efetiva. Mas não sabemos porque não vimos esses casos ainda. O Brasil adotou o mesmo modelo e acredito que tenham sido adotados os mesmos números de multa sobre o faturamento global. Talvez o Brasil seja o primeiro país a evitar esses contornos. Mas teremos que esperar pelos casos realmente irem à Justiça", disse.

Ele criticou a prática de empresas, como Facebook e Google, que colocaram avisos breves sobre a nova lei em seus serviços.

A nova lei de proteção de dados na Europa prevê multa de até 4% no faturamento global anual de empresas, o que pode significar bilhões de dólares para as empresas de tecnologia mais valiosas do mundo. No Brasil, a multa é de 2% do faturamento local, limitado a 50 milhões de reais. Um dos vetos do presidente Michel Temer na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais foi o da criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados e do do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade. O presidente deve apresentar um novo projeto de lei para a criação desse órgão regulador.

Acompanhe tudo sobre:Edward Snowdenempresas-de-tecnologiaEspionagemPrivacidade

Mais de Tecnologia

X dá início a plano de vender nomes de usuários inativos como nova fonte de receita

Amazon testa ferramenta que usa IA para permitir compras em lojas de terceiros dentro de seu app

Amazon lança ferramenta no Kindle que ajuda leitores a relembrar de livros anteriores de séries

Exclusivo: Apple avalia expandir montagem de iPhones no Brasil para driblar tarifas de Trump