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Por que Warren Buffett ainda vive na mesma casa de 31.500 dólares?

Com um patrimônio estimado em US$ 168 bilhões, ele poderia comprar essa mesma residência mais de 100 mil vezes

Warren Buffett: megainvestidor sempre pregou por um estilo de vida de pouco luxo (Scott Olson/Getty Images)

Warren Buffett: megainvestidor sempre pregou por um estilo de vida de pouco luxo (Scott Olson/Getty Images)

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 3 de abril de 2025 às 16h11.

Enquanto bilionários disputam quem tem a casa mais cara ou mais tecnológica, o megainvestidor Warren Buffett segue morando no mesmo endereço desde 1958. O imóvel, comprado por US$ 31.500, tem cinco quartos, dois banheiros e meio e fica em Omaha, Nebraska. Nada de mansão à beira-mar ou helicóptero na garagem.

Buffett poderia ter centenas de casas, mas preferiu ficar com uma só. Com 94 anos e um patrimônio estimado em US$ 168 bilhões, ele poderia comprar essa mesma residência mais de 100 mil vezes. Ainda assim, nunca quis sair de lá.

A pergunta voltou à tona depois que, só nos primeiros três meses de 2025, sua fortuna aumentou em US$ 26 bilhões. Mesmo assim, ele reafirmou o que repete há décadas: não precisa de luxo. “Sou pão-duro”, disse em entrevista à CBS News.

“Não trocaria essa casa por nada”, afirma. “Foi onde criei meus filhos. Tenho memórias demais aqui. Dinheiro não compra felicidade.”

Na contramão da maioria dos bilionários, Buffett vê valor na repetição. Vive no mesmo bairro, toma Coca-Cola no café da manhã e dirige carros comuns. A escolha de manter tudo igual por tanto tempo diz mais sobre estratégia do que sobre apego.

O oposto dos pares bilionários

Outros bilionários têm uma relação bem diferente com moradia. Elon Musk chegou a dizer que morava em uma casa pré-fabricada de US$ 50 mil, mas depois comprou um complexo residencial de US$ 35 milhões no Texas para morar com os filhos, segundo o New York Times. Bill Gates também não pretende reduzir sua estrutura. Sua casa em Seattle tem 24 banheiros, piscina coberta, sala de trampolim e spa.

A diferença de postura é clara: enquanto alguns usam a casa como símbolo de status, Buffett a vê como um instrumento de estabilidade. Não é sobre o que a casa mostra, mas sobre o que ela representa.

Gastar pouco como método

Buffett nunca escondeu sua aversão a gastos desnecessários. Já teve uma placa no carro com a palavra thrifty (“econômico”, em inglês), come fast food com frequência e costuma repetir que luxo não o interessa. Essa forma de viver virou quase uma filosofia.

Para ele, manter os hábitos antigos é uma maneira de evitar distrações. Foco nos negócios, clareza nas decisões, simplicidade no dia a dia. E, principalmente, gastar só com o que faz sentido. “Uma casa pode virar um problema se você compra acima do que precisa”, disse em outras entrevistas.

Essa coerência virou marca registrada. Buffett não apenas acumula dinheiro — ele também mostra o que significa ter controle sobre ele.

Enquanto outros bilionários vivem cercados de imóveis, reformas e imóveis de veraneio, o megainvestidor mantém o que sempre teve: uma casa onde se sente confortável. Para ele, isso basta.

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