Negócios

Ele faturou R$ 44 milhões carregando celulares – agora, quer repetir a dose com vinhos

O carioca Rafael Soares já foi ambulante de empadões, abriu e vendeu cinco lan houses, tentou exportar açaí para o Caribe e investiu num bar universitário — foi só no último que ele teve a ideia que mudou tudo

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 13h57.

Rafael Soares sabe bem o que é começar do zero. Cresceu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e passou a adolescência vendendo empadões na praia para ajudar a família.

Empreender, para ele, sempre foi questão de necessidade. Tentou diferentes negócios – lan houses, exportação de açaí, um bar universitário – até acertar com a Santa Carga, franquia de totens carregadores de celular que transformou em um negócio milionário. Agora, ele aposta em um novo formato: a Vinho24h, uma rede de adegas autônomas instaladas em condomínios.

A nova franquia chega ao mercado com uma proposta simples: adegas sem atendentes, funcionando 24 horas por dia em prédios residenciais e comerciais. No primeiro ano, a expectativa é faturar R$ 1,5 milhão e fechar 2025 com 60 unidades franqueadas.

“A adega autônoma atende a um público que busca praticidade e exclusividade. Com um investimento inicial de R$ 32.900, o franqueado atua como gestor da sua unidade, monitorando as vendas remotamente”, afirma.

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O projeto da Vinho24h surgiu da experiência de Soares com a Santa Carga. Ele criou um totem de madeira com cabos para recarga e uma tela que exibia propagandas. Cada um carrega até 14 celulares e exibe anúncios geolocalizados, gerando receita publicitária.

Para os próximos anos, a meta é expandir a operação principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. "O mercado de franquias vive um momento favorável, e queremos aproveitar essa onda de negócios sem funcionários para crescer rápido", diz o carioca.

De vendedor ambulante a franqueador de sucesso

A trajetória de Rafael Soares começou longe do mundo das franquias. Natural de Duque de Caxias, ele teve uma infância difícil e passou por diversas tentativas frustradas de empreender antes de encontrar o modelo certo.

Ainda adolescente, vendia empadões na praia para ajudar a família. “Tirava uns 30 reais por dia. Se sobrava comida, tinha que vender no trem voltando para casa”, relembra.

Aos 19 anos, abriu uma pequena loja de conserto de computadores com o dinheiro da rescisão do seu primeiro emprego. O negócio cresceu rápido e, em 2003, com um investidor, fundou a Via Digital Informática. Em um ano, já tinham cinco unidades na Baixada Fluminense, mas a má gestão financeira levou à falência pouco tempo depois.

Soares seguiu tentando. Abriu e vendeu cinco lan houses, tentou exportar açaí para o Caribe e até investiu em um bar universitário, que venderia mais tarde por R$ 300 mil. A virada veio em 2019, quando fundou a Santa Carga.

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Como surgiu a Santa Carga?

O insight para criar a Santa Carga surgiu dentro do seu próprio bar. Clientes pediam para carregar o celular, e um incidente – um telefone molhado – fez Soares perceber a oportunidade. Ele criou um totem com carregadores e uma tela para publicidade. “As pessoas começaram a perguntar como ter uma dessas em suas empresas. A partir dali, o negócio tomou forma”, diz.

O modelo se mostrou escalável, e a marca cresceu rápido. Em 2020, com a chegada da pandemia, Soares decidiu apostar no franchising. A primeira franquia foi vendida por R$ 5 mil reais para um ex-funcionário do seu bar. Hoje, são cerca de 840 franqueados pelo Brasil.

Em 2024, a Santa Carga bateu R$ 44 milhões em faturamento. O modelo de negócio, que permite ao franqueado ganhar dinheiro sem precisar de estoque ou funcionários, conquistou o mercado.

“O franqueado pode faturar com a publicidade, além do wi-fi marketing. É um modelo altamente lucrativo e de fácil gestão”, explica Soares.

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O futuro é doce

Com o crescimento da Santa Carga consolidado, Soares agora aposta na Vinho24h para repetir o sucesso. A franquia permite que os franqueados ganhem dinheiro de três formas: venda direta dos vinhos, assinaturas do clube do vinho e publicidade nas telas das adegas.

“Temos parceria com grandes fornecedores, garantindo preços competitivos e margens de lucro acima de 80%”, diz o carioca. A franquia já opera duas unidades no Rio de Janeiro e planeja sua expansão nacional, começando pelo Sudeste.

“O consumidor quer conveniência. Se conseguimos transformar totens carregadores em um negócio milionário, podemos fazer o mesmo com vinhos”, afirma.

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