Negócios

Blackstone acerta compra da divisão da Reuters por US$20 bi

O acordo, anunciado pelas empresas em comunicado, é a maior aposta da Blackstone desde a crise financeira internacional

Thomson Reuters: o negócio envolve a compra pela Blackstone de uma fatia de 55% da divisão F&R (Chris Hondros/AFP)

Thomson Reuters: o negócio envolve a compra pela Blackstone de uma fatia de 55% da divisão F&R (Chris Hondros/AFP)

R

Reuters

Publicado em 30 de janeiro de 2018 às 22h55.

Londres/Nova York - O grupo de private equity Blackstone fez uma ousada aposta no setor de informações financeiras de Wall Street nesta terça-feira com a compra de participação majoritária na divisão Financial and Risk da Thomson Reuters.

O acordo, anunciado pelas empresas em comunicado, é a maior aposta da Blackstone desde a crise financeira internacional. O co-fundador Stephen Schwarzman enfrentará o companheiro bilionário e o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, cujos terminais homônimos são o líder do mercado no fornecimento de notícias, dados e análises a operadores de mercado, executivos e investidores.

O negócio envolve a compra pela Blackstone de uma fatia de 55 por cento da divisão F&R. A Thomson Reuters manterá participação de 45 por cento e receberá aproximadamente 17 bilhões de dólares, incluindo cerca de 3 bilhões em dinheiro e 14 bilhões de títulos e ações preferenciais emitidas pelo novo negócio, disseram as empresas.

O Conselho de Investimento do Plano de Pensões do Canadá e o fundo GIC de Cingapura investirão junto com a Blackstone, mas a declaração das companhias não especificou o tamanho de suas participações. O fundo de pensão canadense não quis comentar. O GIC não pode ser imediatamente alcançado.

A nova parceria será gerida por um conselho de 10 pessoas composto por cinco representantes da Blackstone e quatro da Thomson Reuters. O presidente do negócio servirá como membro sem direito a voto do conselho após o encerramento da transação. As empresas não disseram quem seria essa pessoa.

As conversas para venda do negócio para a Blackstone, começaram em meados do ano passado, disseram duas fontes familiarizadas com as negociações.

O maior ponto de discussão durante as negociações foi o que a parceria significaria para a Reuters News, agência de notícias internacional que fornece conteúdo para o terminal Thomson Reuters Eikon, disseram duas fontes, que falaram sob anonimato.

Segundo as empresas, a Thomson Reuters e a Thomson Reuters Founders Share, que supervisiona a independência editorial da Reuters desde que a empresa foi listada em bolsa pela primeira vez na década de 1980, concordaram em "modificações conseqüentes" nos Trust Principles, conjunto de princípios que orientam a atuação da divisão de notícias.

Uma fonte a par do assunto disse que não haveria nenhuma mudança no compromisso da Reuters News com a "independência", "livre de preconceitos" e com o fornecimento de "notícias confiáveis" de acordo com os Trust Principles.

Kim Williams, presidente da Thomson Reuters Founders Share Company, não estava disponível para comentários imediatos.

Pelos termos do acordo, a Reuters News seguirá parte da Thomson Reuters, juntamente com as divisões Legal and Tax and Accounting.

A nova empresa F&R efetuará pagamentos anuais mínimos de 325 milhões de dólares para a Reuters para garantir o acesso ao seu serviço de notícias, montante equivalente a quase 10 bilhões de dólares. A diretora financeira da Thomson Reuters, Stephane Bello, disse em teleconferência com investidores que o pagamento representa o que a F&R costumava alocar para a Reuters News.

A Reuters também obtém receita vendendo notícias para emissoras de televisão, sites, jornais e outras organizações de mídia em todo o mundo. Em 2016, a Reuters registrou receita de 304 milhões de dólares em seu negócio de mídia.

A Thomson Reuters espera que a transação seja concluída no segundo semestre deste ano.

A Thomson Reuters disse que usará a maior parte dos 17 bilhões de dólares da transação, 9 bilhões a 11 bilhões, para recomprar ações numa oferta para todos os acionistas no fim da transação. A companhia informou ainda que usará os recursos para pagar dívidas e investir na divisão Legal and Tax and Accounting e fazer aquisições seletivas.

A Woodbridge, veículo de investimento da família canadense Thomson, e o principal acionista da Thomson Reuters, vai participar da oferta. A Woodbridge pretende manter sua participação de 50 a 60 por cento na Thomson Reuters, segundo o comunicado.

Acompanhe tudo sobre:BlackstoneFusões e AquisiçõesThomson Reuters

Mais de Negócios

Com 200 carros na frota, esta locadora dobrou de tamanho em um ano. Agora quer brigar com os grandes

Os 10 países com mais bilionários no mundo — e o Brasil é um deles

Dos 10 mais ricos da América Latina três são brasileiros; veja lista

Quem são as mulheres mais ricas do mundo?