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Os novos produtos da Cimed após a entrada do GIC e o caminho rumo aos R$ 10 bilhões

Após a entrada do GIC, a farmacêutica aposta em desodorantes, filtros solares e novas categorias de consumo para dobrar de tamanho em cinco anos

João Adibe Marques, CEO da Cimed: "Tem espaço para entrar em todas as categorias dominadas por poucas empresas" (Leandro Fonseca/Exame)

João Adibe Marques, CEO da Cimed: "Tem espaço para entrar em todas as categorias dominadas por poucas empresas" (Leandro Fonseca/Exame)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 2 de abril de 2025 às 17h51.

Última atualização em 2 de abril de 2025 às 18h20.

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A farmacêutica Cimed deu um passo importante ao garantir um investimento do fundo soberano de Singapura, o GIC, anunciado há duas semanas. A companhia segue sob o controle da família Marques, apesar da saída da irmã Mariana, que detinha 6% da operação. Mais do que um simples aporte financeiro, a transação primária representa uma nova fase para a empresa, agora acompanhada por um mentor financeiro de peso, capaz de abrir portas em mercados internacionais e trazer uma nova perspectiva de gestão.

"A entrada do GIC, um dos fundos mais sofisticados do mundo, é uma clara demonstração de confiança na estratégia da Cimed", diz o CEO João Adibe Marques.

A negociação foi marcada por intensas conversas e uma análise estratégica cuidadosa. Desde o início, a farmacêutica apresentou sua visão de crescimento e os planos agressivos para os próximos anos, incluindo a expansão da capacidade produtiva e a diversificação para novos segmentos de consumo.

O GIC, conhecido por sua diligência minuciosa, exigiu não apenas retorno financeiro, mas também um modelo de governança robusto e transparente, para garantir que a Cimed estivesse pronta para acelerar seu crescimento sem comprometer a qualidade ou a transparência.

"Foram meses de trabalho. Quando se trata de um fundo como o GIC, a negociação não é simples, mas foi muito rica para nós, pois nos obrigou a pensar em cada detalhe da operação de forma mais estratégica e profissional", afirma Adibe.

Com metas de faturamento de 5 bilhões de reais em 2025, a farmacêutica sabe que os desafios não vão desaparecer com o investimento — na verdade, é agora que a verdadeira prova de fogo começa.

Mirando horizontes mais ambiciosos, com a expectativa é dobrar de tamanho com cinco anos e alcançar os 10 bilhões de reais.

A aposta no consumo

Não é novidade o olhar mais atento da farmacêutica para novas categorias nas gôndolas das farmácias. A linha de vitaminas Lavitan ganhou bebidas proteicas, a linha de hidratantes labiais Carmed ampliou seu portfólio e agora tem body splash, conhecidos pela fragrância mais leve para o corpo.

No fim do ano passado, a companhia entrou na categoria de oral care, com uma linha infantil de pasta de dente e enxaguante bucal. A estreia repetiu uma parceria de sucesso da companhia com a Fini. Juntas, elas fizeram a categoria de hidratantes labiais crescer cinco vezes de tamanho com o Carmed Fini.

Em pouco tempo, o efeito "Carmed Fini" levou a Cimed a um novo patamar na categoria, atingindo 16% de participação de mercado. O produto foi desenvolvido com fábricas terceirizadas parceiras — uma estratégia que Adibe pretende levar para as novas categorias, sem precisar investir pesadamente em infraestrutura própria e sem comprometer o fluxo de caixa.

"Não tenho ambição de ser dono de toda a estrutura de produção. Eu tenho uma cadeia verticalizada, mas preciso de agilidade e experiência de quem já sabe produzir embalagens", diz o CEO.

Agora, a farmacêutica planeja entrar nas categorias de desodorantes e filtros solares, onde enxerga uma grande oportunidade de crescimento. "Tem espaço em todas as categorias dominadas por poucas empresas", diz Adibe.

Sobre a política de preços, o CEO afirma que a Cimed não entrará nessas categorias com preços de entrada. "Vamos oferecer produtos de qualidade a preços acessíveis, aproveitando a expertise em distribuição eficiente que já nos coloca em vantagem no mercado de medicamentos", destaca.

Com isso, a Cimed se posiciona como uma criadora de marcas no mercado de bens de consumo. E, para garantir que sua proposta de valor chegue aos consumidores de forma rápida e com alta qualidade, aposta na produção terceirizada para saltar mais rápido nas prateleiras de mercados ainda pouco explorados.

A entrada do GIC chancela essa estratégia, que tem feito barulho no mercado farmacêutico. "Eu sempre falei, quem compra quer ver a cara. Pelo jeito, quem investe também", diz Adibe.

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