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WikiLeaks: EUA temiam 'negócios questionáveis' de Piñera

Segundo documento de uma diplomata norte-americana, presidente chileno estaria nos "limites da lei e da ética" na política e nos negócios

Piñera: presidente comprou ações da LAN antes da divulgação de um relatório financeiro (Chris McGrath/Getty Images)

Piñera: presidente comprou ações da LAN antes da divulgação de um relatório financeiro (Chris McGrath/Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 28 de dezembro de 2010 às 08h37.

Última atualização em 14 de novembro de 2019 às 18h54.

Santiago - A embaixada dos Estados Unidos em Santiago comunicou a Washington que Sebastían Piñera, atual presidente do Chile, realizava "negócios questionáveis" como empresário, revela nesta segunda-feira o jornal espanhol El País, citando informações do site WikiLeaks.

"Piñera está ligado a um certo número de negócios questionáveis, mas os eleitores parecem relativamente desinteressados com isto", revela um despacho enviado em 2009 pela diplomata americana Carol Urban, quando o empresário ainda era candidato à presidência.

"Tenaz e competitivo, Piñera cuida tanto dos negócios como da política chegando aos limites da lei e da ética", destaca Urban.

O despacho cita um relatório da Transparência Internacional de 2006 que revela que Piñera, então o principal acionista da LAN Chile, comprou ações horas antes da publicação de um relatório financeiro da companhia aérea.

Segundo a embaixada dos EUA no Chile, Piñera é um "homem de negócios competitivo e político inclinado a assumir riscos".

Piñera venceu as eleições de janeiro passado e em março chegou ao poder prometendo vender suas ações da LAN, da TV Chilevisión e do clube de futebol Colo Colo, tarefa que concluiu em 24 de dezembro passado.

Após a divulgação da notícia, o chanceler chileno, Alfredo Moreno, informou que recebeu um telefonema de Arturo Valenzuela, "encarregado do departamento americano de Estado, que pediu desculpas pelo vazamento...".

Segundo Valenzuela, a análise sobre Piñera "não representava a opinião dos Estados Unidos nem de sua diplomacia". "Foi apenas um relatório, como fazem muitos funcionários em todo o mundo".

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