Mundo

Venezuela vai invadir a Guiana? Veja 7 previsões da Eurasia para a América Latina em 2024

Consultoria aponta boas perspectivas para Lula e para o presidente do México e dificuldades para os líderes de Chile e Colômbia

Nicolás Maduro: presidente venezuelano quer tomar mais da metade da Guiana  (Marcelo Garcia/AFP)

Nicolás Maduro: presidente venezuelano quer tomar mais da metade da Guiana (Marcelo Garcia/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 27 de dezembro de 2023 às 06h08.

Última atualização em 27 de dezembro de 2023 às 09h10.

A consultoria Eurasia fez uma análise detalhada sobre o que espera para o futuro da política e da economia na América Latina em 2024. A região deve seguir com alto nível de insatisfação popular contra os governos, de modo geral, mas mesmo assim alguns presidentes, como Lula no Brasil e López Obrador, no México, devem ter um ano positivo, apesar de alguns entraves pelo caminho.

A Eurasia vê mais dificuldades no caminho de Chile, Colômbia e Venezuela. O presidente Nicolás Maduro deve manter a retórica contra a Guiana, mas sem tomar medidas militares concretas, prevê a consultoria. Veja abaixo mais detalhes das previsões do grupo para o ano que vem.

Venezuela terá ano eleitoral complicado e invasão da Guiana é improvável

Em 2024, a Venezuela terá eleições presidenciais pela primeira vez desde 2019, mas em condições ainda incertas. Tanto que a data do pleito em si ainda não foi marcada: a expectativa é que fique mais para o fim do ano.

Outro ponto nebuloso é o quanto a oposição terá espaço de fato para concorrer. "É altamente improvável que Nicolás Maduro permita que Maria Corina Machado [principal nome da oposição hoje] dispute a eleição, e será preciso buscar alternativas. Mas se a oposição se mantiver unida, Maduro buscará outros meios para minar a candidatura, já que ele não pode se arriscar em uma eleição competitiva que certamente perderá", avalia a Eurasia.

Já o plano de se apossar de mais de metade da Guiana deve ficar na intenção, prevê a Eurasia. "Embora a retórica bélica de Maduro vá continuar, é improvável que ele busque uma invasão completa, dado o custo econômico e político substancial", diz a consultoria.

Lula deve ter 1º semestre turbulento, mas popularidade segue em alta

No Brasil, o presidente Lula terá desafios como tensões envolvendo a política monetária e alguma dificuldade para cumprir metas fiscais, espera a Eurasia. O temor é que Lula decida ser "pouco tolerante" com cortes de gastos para compensar eventual queda da arrecadação no ano que vem.

Ao mesmo tempo, a consultoria destaca que Lula segue com aprovação acima dos 50%, em parte por causa da queda no preço dos alimentos.

"Apesar de o governo poder se enfraquecer no começo de 2024, não será algo sério o bastante para causar uma mudança de peso no curso determinado pela equipe econômica. Nesse meio tempo, reformas ambientais e de tributos vão avançar", projeta.

Inflação deve seguir sob controle

A Eurasia lembra que muitos países da região subiram as taxas de juros de forma rápida após a pandemia, para conter a alta da inflação, e que isso deu resultado na maioria dos casos.

Agora, há espaço para seguir com as quedas de juros, de forma antecipada a outras partes do mundo onde esse processo começou depois, o que pode trazer vantagens para a região.

No Chile, Boric deve seguir pressionado

O presidente Gabriel Boric, que chega na segunda metade do mandato de quatro anos, deve ter dificuldades para avançar com reformas. Sua popularidade termina 2023 abaixo dos 30%. A tentativa de aprovar uma nova Constituição foi rejeitada pela população em dezembro.

Agora, ele tentará avançar com reformas nas aposentadorias e nos impostos, mas as mudanças deverão ser diluídas, para tentar convencer a oposição, que tem vantagem no Congresso, a aceitar as propostas. O Chile terá eleições locais em outubro, o que deve travar ainda mais o debate sobre propostas.

Na Colômbia, Petro deve ter avanços limitados

Gustavo Petro, presidente da Colômbia, vive situação parecida com a de Boric: baixa aprovação popular, de 26% em dezembro, e dificuldade para aprovar medidas.

Suas reformas nas aposentadorias e na saúde pública, que pretendem ampliar o papel do estado, também devem sair enfraquecidas do Congresso. Para complicar as coisas, Petro também terá pressão para cortar gastos e se manter dentro das metas fiscais. Com isso, há chance de que ele apresente algum tipo de reforma tributária e busque outras formas de ampliar receitas, projeta a Eurasia.

México deverá ter presidente mulher pela 1ª vez

O México terá eleições presidenciais em 2 de junho, e Claudia Sheinbaum, ex-prefeita da Cidade do México e candidata do atual presidente, Lopez Obrador, é favorita para vencer, aponta a Eurasia. Sua principal competidora é Xochitl Galvez.

Apesar do favoritismo de Sheinbaum, há dúvidas se o Morena, partido do governo, conseguirá obter ampla maioria no Congresso, necessária para aprovar reformas de peso. Houve mudanças em regras eleitorais que favoreciam o partido, e muitos candidatos deixaram a legenda nos últimos anos.

Bukele deve ter reeleição fácil em El Salvador

Nayib Bukele, ex-presidente de El Salvador que renunciou ao cargo para poder disputar um novo mandato, dando um drible nas regras eleitorais, deve ter uma vitória fácil, prevê a Eurasia, por ter alta taxa de aprovação. Seu partido, Novas Ideias, também deve ganhar força no Congresso.

No entanto, o novo presidente precisará renegociar um acordo com o FMI após a eleição, e um dos pontos é como ficará a questão do uso de bitcoins. Bukele é defensor das moedas eletrônicas: investiu parte das reservas do país nelas e tornou o bitcoin (BTC) em moeda de uso legal no país.

Acompanhe tudo sobre:VenezuelaGuianaColômbiaChileGoverno Lula

Mais de Mundo

Papa Francisco: novo boletim médico do indica 'leve melhora' em quadro inflamatório

Sobrevoos de drones dos EUA no México são 'colaboração' antiga, diz presidente

Egito diz que Faixa de Gaza pode ser reconstruída em 3 anos

Conversas sobre a segunda fase do cessar-fogo em Gaza começarão na próxima semana