Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, em discurso após a eleição (Juan Barreto/AFP)
Repórter de macroeconomia
Publicado em 29 de julho de 2024 às 18h28.
Última atualização em 29 de julho de 2024 às 19h20.
O governo da Venezuela anunciou na tarde desta segunda, 29, que vai retirar suas equipes de diplomatas de sete países que questionaram os resultados das eleições presidenciais de domingo, e determinou que esses países retirem seus profissionais do território venezuelano, o que representa um rompimento diplomático.
"O governo da República Bolivariana da Venezuela, ante este nefasto precedente que atenta contra nossa soberania nacional, decide retirar todas as equipes diplomáticas das missões na Argentina, Chile, Costa Rica, Peru, Panamá, República Dominicana e Uruguai", diz um comunicado, divulgado por Yvan GIl, ministro das Relações Exteriores.
O comunicado também determina que os governos desses países também retirem seus diplomatas que atuam na Venezuela.
"A Venezuela expressa seu mais firme rechaço ante as ações de ingerência e declarações de um grupo de governos de direita, subordinados a Washington e comprometidos com os postulados mais sórdidos do fascismo internacional", diz a nota.
Na noite de domingo, estes países divulgaram nota conjunta, pedindo transparência na apuração do resultado das eleições.
#Comunicado 📢 Venezuela expresa su más firme rechazo ante las injerencistas acciones y declaraciones de un grupo de gobiernos de derecha, subordinados a Washington y comprometidos abiertamente con los más sórdidos postulados ideológicos del fascismo internacional, tratando… pic.twitter.com/l0dAaNSnEA
— Yvan Gil (@yvangil) July 29, 2024
O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela divulgou que o presidente Nicolás Maduro venceu as eleições, com 51% dos votos, mas não revelou o detalhamento dos dados, como o total de votos por estado e seção eleitoral.
A oposição, assim como diversos outros países, pediu a liberação destes dados para que o processo seja transparente. Líderes da oposição disseram ter obtido cerca de 40% do total das atas, e que elas mostravam vitória do candidato da oposição, Edmundo Gonzalez.
A lei venezuelana determina que as atas de cada seção eleitoral são de acesso público, mas membros da oposição relataram que foram impedidas de acessá-las durante a apuração.