Donetsk - A ofensiva ucraniana prosseguia nesta terça-feira contra posições separatistas pró-russas no leste do país, enquanto que a União Europeia estudava um reforço das sanções contra a Rússia por seu apoio aos rebeldes.
Dezessete civis, entre eles três crianças, morreram nas últimas 24 horas por disparos de artilharia em Gorlivka, um reduto separatista, 45 km ao norte de Donetsk, indicou a administração regional em um comunicado, informando que o ataque também deixou 43 feridos.
A ONU criticou o uso de armas pesadas por parte de ambos os grupos, nos três meses de um conflito que matou mais de 1.100 pessoas nesta ex-república soviética.
A Rússia chamou este relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos sobre a Ucrânia é parcial e hipócrita.
"Nossa principal conclusão é que o relatório é parcial e, inclusive, hipócrita", declarou o porta-voz da diplomacia russa, Alexander Lukashevich.
"Sua mensagem central é que o governo ucraniano pode continuar utilizando legitimamente a força para restabelecer a ordem no leste do país", acrescentou a fonte.
"O relatório da missão de observação da ONU não contém o mais importante: a exigência de um cessar imediato das operações militares realizadas pelas autoridades de Kiev contra seu próprio povo. Sem isso, falar de direitos humanos na Ucrânia não tem sentido", acrescentou Lukashevich.
Fortes explosões também foram ouvidas durante a madrugada e por volta do meio-dia desta terça-feira em Donetsk, comprovaram jornalistas da AFP.
Em Lugansk, outro reduto separatista, as autoridades locais informaram sobre a morte de cinco civis.
Nos últimos dias, o exército ucraniano ganhou espaço sobre a rebelião dos pró-russos.
Os confrontos voltaram a impedir nesta terça-feira, pelo terceiro dia consecutivo, o acesso dos especialistas holandeses e malaios ao local onde no dia 17 de julho o Boeing 777 da Malaysia Airlines caiu com 298 pessoas a bordo, derrubado por um míssil.
Alguns restos humanos e do avião encontram-se espalhados pelos campos.
O governo holandês convocou o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, a deter os combates perto deste local. Segundo a Rússia, a ofensiva viola a resolução votada pela ONU após o drama.
Os insurgentes reconheceram na segunda-feira ter perdido o controle de parte das zonas de Snijné, Shajtarsk e Torez, situadas a leste de Donestsk, a menos de 30 quilômetros do local da catástrofe aérea.
O Estado-Maior do exército ucraniano indicou que contingentes de separatistas locais com suas famílias se preparavam para evacuar o território ucraniano, mas que "nas cidades libertadas ainda existem muitos combatentes (separatistas) com importantes reservas de armas e munições".
A escalada de violência aumentou após a queda do avião malaio que viajava de Amsterdã a Kuala Lumpur, um incidente que, segundo a ONU, pode ser considerado um crime de guerra.
O governo ucraniano e os países ocidentais acusam os separatistas de ter provocado o drama e a Rússia de armar a rebelião.
Observadores da OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) devem viajar nesta terça-feira ao sul da Rússia para iniciar uma missão de vigilância de duas passagens fronteiriças com a Ucrânia, através das quais podem ocorrer envios de armas.
Sanções europeias
A União Europeia (UE) se preparava nesta terça-feira para reforçar as sanções contra a Rússia por apoiar os separatistas do leste da Ucrânia, onde os combates seguem dificultando a investigação sobre a recente queda de um avião malaio.
Os embaixadores dos 28 Estados da UE discutirão em Bruxelas uma série de sanções contra Moscou que, segundo vazamentos à imprensa, incluirão uma proibição ao mercado de capitais europeu, um embargo à compra de armamento e à restrição de exportações em direção à Rússia de tecnologias com uso duplo (civil e militar), entre elas as relacionadas ao setor de energia.
Mas a UE já confirmou sua decisão de sancionar quatro empresários russos ligados a Vladimir Putin por apoiar ou se beneficiar da crise na Ucrânia.
Também decidiu sancionar outras entidades responsáveis por "atuar contra a integridade territorial da Ucrânia".
Os nomes dos novos sancionados serão divulgados quando for publicado o Boletim Oficial.
Os Estados Unidos são o país que adotou até o momento as sanções mais duras contra a Rússia e atualmente avaliam a possibilidade de comunicar os dados a sua disposição para que a Ucrânia dirija com mais eficácia seus ataques contra os mísseis dos separatistas, declararam na segunda-feira autoridades americanas.
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1. Velas e armas
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1/13 (Graham Denholm / Getty Images)
São Paulo – Na quinta-feira, o voo MH17 da Malaysian Airlines, que ia de Amsterdã para Kuala Lumpur, foi derrubado enquanto sobrevoava o céu do leste da Ucrânia. Desde então, o governo central ucraniano e a Rússia trocam acusações sobre quem foi responsável pelo míssil que atingiu o avião. Veja, a seguir, as fotos do desenrolar do conflito desde a queda do avião até este domingo.
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2. Pelo chão
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2/13 (Getty Images)
As bagagens e pertences pessoais das vítimas que estavam a bordo do Malaysia Airlines voo MH17 estão espalhadas por Grabovo, na Ucrânia. Segundo relatos de correspondentes internacionais, os destroços do avião estão espalhados a até 15 km do ponto central onde está a maior parte da fuselagem.
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3. Memória saqueada
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3/13 (Maxim Zmeyev/Reuters)
Dinheiro, joias, objetos pessoais e até cartões de créditos das 298 vítimas do voo MH17 da Malaysia Airlines, abatido por um míssil na Ucrânia, na sexta-feira, estão sendo saqueados. Militantes separatistas admitem que removeram objetos, além das caixas-pretas, do local do acidente.
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4. Sem destino
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4/13 (Brendan Hoffman / Getty Images)
Hoje, um vagão de trem refrigerado com parte dos corpos dos passageiros de Malaysia Airlines vôo MH17 aguarda na estação de trem para o transporte ruma a um destino ainda desconhecido. O vôo MH17 da Malaysia Airlines viajava de Amsterdã para Kuala Lumpur quando caiu matando todos os 298 a bordo, incluindo 80 crianças.
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5. Caixa-preta
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5/13 (Getty Images)
O governo da Ucrânia disse neste domingo que interceptou conversas telefônicas entre os rebeldes pró-russos e os militares russos. Os
rebeldes admitiram hoje podem estar com a caixa-preta e prometeram entregar caixas pretas do voo malaio à Organização da Aviação Civil Internacional.
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6. Represália Europeia
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6/13 (Maxim Zmeyev/Reuters)
De
acordo com o WSJ, os líderes europeus ameaçaram impor sanções mais duras contra a Rússia, em decorrência da queda do voo MH17, sem deixar ainda claro o que pode acontecer em represália. Os chanceleres da União Europeia se reunirão em Bruxelas nesta terça-feira para decidir o que fazer, mas há uma grande chance que ativos na Europa construídos por empresários russos, bem como as de empresas originárias do país, possam ser congelados.
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7. Maioria holandesa
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7/13 (Graham Denholm / Getty Images)
A maioria das 298 pessoas a bordo do voo MH 17 era de nacionalidade holandesa. Entre as vítimas havia 154 passageiros holandeses, 27 australianos, 23 malaios, onze indonésios, seis britânicos, quatro alemães, quatro belgas, três filipinos e um canadense no voo. "As famílias querem enterrar seus parentes", declarou ministro do Exterior holandês, Frans Timmermans. Um grupo de 15 especialistas holandeses foi enviado ao local da tragédia para identificar os corpos.
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8. Domingo de homenagem
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8/13 (Christopher Furlong / Getty Images)
Velas em memória das vítimas foram acesas durante uma missa especial na Igreja de Saint Vitus em Hilversum, Holanda, nesta manhã. Três famílias da cidade morreram no acidente. Por todo o país o domingo foi marcado por homenagens às vitimas da tragédia, lembradas em cultos, eventos esportivos e oficiais e no aeroporto Schiphol de Amsterdã, de onde o avião partiu na última quinta-feira.
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9. Em busca da cura
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9/13 (Graham Denholm / Getty Images)
Um participante da 20ª Conferência Internacional de AIDS que acontece hoje em Melbourne, Austrália, amarra uma fita vermelha em homenagem daqueles que perderam suas vidas no voo MH17. Pelo menos seis enviados estavam no avião rumo ao encontro dos maiores especialistas em busca da cura para a doença.
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10. EUA diz que sabe
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10/13 (gett)
Os
Estados Unidos detectaram o lançamento de um míssil antiaéreo e observou sua trajetória na quinta-feira passada, quando o avião da Malaysia Airlines caiu, supostamente atingido, no leste da Ucrânia, afirmou neste domingo o secretário de Estado, John Kerry. O presidente Barack Obama já hava dito que tudo apontava para que o avião tivesse atingido por rebeldes pró-russos. 'Sabemos, com certeza, que durante o último mês houve um fluxo de armamento, um comboio de uns 150 veículos incluídos transporte de pessoal, lança mísseis, artilharia, da Rússia para o leste da Ucrânia', disse ele.
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11. Artigo editado
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11/13 (Getty Images)
O imbróglio da Ucrânia e Russia chegou à web. Primeiro, um computador de Kiev, capital da Ucrânia,
editou o artigo em russo para "acidentes de aviação comercial" colocando a culpa da queda em "terroristas da auto-proclamada República Popular de Donetsk com mísseis de sistema Buk, que os terroristas receberam da Federação Russa". Menos de uma hora depois, alguém com um endereço de IP russo mudou o texto para "o avião foi abatido por soldados ucranianos".
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12. Duas tragédias no ano
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12/13 (Maxim Zmeyev/Reuters)
Depois de ter um avião desaparecido nos ares em março, nesta quinta-feira, o Boeing 777 da companhia Malaysia Airlines com 295 passageiros a bordo caiu na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, sem deixar sobreviventes. A
companhia já apresentava uma operação deficitária antes disso, suportada por verbas governamentais e que degringolava cada vez mais pela imagem afetada com a tragédia. Agora deve ter de enfrentar processos movidos por pessoas de vários países.
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13. Agora, veja quais são os exércitos mais poderosos
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13/13 (Bradley Rhen / US Army / Wikimedia Commons)