Donald Trump, presidente dos EUA, durante evento sobre educação na Casa Branca (Roberto Schmidt/AFP)
Repórter de macroeconomia
Publicado em 2 de abril de 2025 às 11h12.
Última atualização em 2 de abril de 2025 às 11h42.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relevará nesta quarta-feira, 2, um grande pacote de tarifas de importação. A poucas horas do anúncio, o governo americano deu poucos detalhes de como elas serão implantadas de fato.
Trump promete aplicar tarifas recíprocas contra países que taxam importações americanas. De forma simples, se um país taxa um produto dos EUA em 20%, também teria suas importações para os americanos taxada em 20%.
No entanto, há várias formas possíveis de aplicar esta reciprocidade. O modelo a ser adotado só deverá ser anunciado no evento desta tarde, marcado para 17h (hora de Brasília). Veja a seguir três opções que poderão ser utilizadas.
Neste modelo, Trump aplicaria uma tarifa geral sobre todas as importações de um país, como 10%, sem diferenciais por produto.
Neste caso, ele poderia levar em conta a média de tarifas cobradas. O Brasil cobra, em média, 5,8% de tarifas sobre produtos dos EUA. Se as tarifas recíprocas forem similares, o país teria todas as suas exportações taxadas em 5,8%.
Trump, no entanto, disse que pode ser "generoso" e aplicar tarifas recíprocas menores do que são cobradas aos EUA.
Os EUA poderão aplicar taxas proporcionais por produto ou categoria de itens.
O Brasil, por exemplo, cobra 18% sobre as importações de etanol dos EUA. Já os EUA aplicam uma tarifa de apenas 2,5% sobre o etanol importado, incluindo o etanol brasileiro. Assim, os americanos poderiam subir a tarifa sobre etanol para 18%, e fazer o mesmo com outros produtos.
Trump tem dito que as tarifas recíprocas poderão considerar também barreiras não tarifárias, como cotas de importação e fiscalizações sanitárias, que, na prática, dificultam ou impedem importações dos Estados Unidos.
Se este modelo for considerado, o Brasil pode ser mais prejudicado, pois tem diversas medidas assim em vigor.
É mais difícil precisar até quanto as tarifas poderiam subir neste modelo. Um estudo do banco BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) avalia que, em um cenário extremo, elas poderiam chegar a 25%.
Estas tarifas extras poderiam ser aplicadas tanto no modelo linear por país quanto por produtos, o que aumenta as incertezas.
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