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Payroll: EUA criam 228 mil empregos em março, bem acima da expectativa

Dados foram anunciados nesta sexta-feira pelo governo americano

Placa de vagas abertas em empresa dos Estados Unidos (Getty Images/Reprodução)

Placa de vagas abertas em empresa dos Estados Unidos (Getty Images/Reprodução)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 4 de abril de 2025 às 09h33.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 10h21.

Os Estados Unidos criaram 228 mil vagas de emprego em março, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, 4, pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês). Em fevereiro, o país havia criado 151 mil vagas.

A taxa de desemprego teve ligeira alta, de 4,1% para 4,2%, em relação a fevereiro. O número de desempregados fechou o mês em 7,1 milhões, mesmo patamar do mês passado. A taxa de desemprego está ao redor de 4% desde meados de 2024.

O número veio bem acima das projeções de mercado, que esperava criação de 140 mil vagas, segundo o Wall Street Journal. A expectativa para o desemprego era de 4,1%.

O dado era esperado com expectativa, pois ajuda a entender os efeitos das tarifas de importação criadas pelo presidente Donald Trump. Nas últimas semanas, ele anunciou o maior pacote de taxas em décadas, o que fez diversos analistas apontarem que há maior risco de recessão nos Estados Unidos, o que teria efeitos para a economia do mundo todo.

O republicano defende que as taxas ajudarão a criar mais empregos no país, enquanto analistas avaliam que as medidas poderão gerar inflação e frear o crescimento americano, ao dificultar a produção. Fábricas poderão ter dificuldades ao importar peças e outros insumos, por exemplo.

"Grandes números de emprego, muito além do esperado. Já está funcionando. Segure forte, não podemos perder", disse Trump, na rede social Truth Social, ao comentar os dados.

O que é o payroll

O relatório, apelidado de payroll (folha de pagamento, em inglês), acompanha a criação de empregos não-agrícolas no país. O próximo dado, sobre abril, será divulgado em 2 de maio.

O indicador ajuda a medir a situação geral da economia americana e a guiar o Fed na definição da taxa de juros do país. A taxa atual está em 4,25% a 4,50%. O mercado de trabalho mais aquecido tende a estimular o Fed a manter os juros em alta por mais tempo.

Em março, a criação de vagas foi mais forte nos setores de cuidados de saúde, assistência social, transporte e estoques. Uma das razões que ajudaram a aumentar o indicador foi o retorno ao trabalho de empregados do varejo que estavam em greve.

Entre as áreas com queda, houve redução no número de funcionários públicos, na esteira de uma de demissões feitas pelo governo Trump.

O desemprego atinge mais os negros (6,2%) e latinos (5,1%). O estudo aponta ainda que 4,8 milhões de americanos trabalham em meio período porque não conseguem um emprego integral.

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