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Papa defende imigrantes e denuncia "trabalho escravo"

Francisco, que defende pobres e vulneráveis, disse que precisa haver uma mudança de atitude por parte de países anfitriões


	Papa Francisco: descendente de italianos que migraram para a Argentina no começo do século 20, defendeu a "eliminação de preconceitos e pressuposições" a respeito da migração
 (Vincenzo Pinto/AFP)

Papa Francisco: descendente de italianos que migraram para a Argentina no começo do século 20, defendeu a "eliminação de preconceitos e pressuposições" a respeito da migração (Vincenzo Pinto/AFP)

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Da Redação

Publicado em 24 de setembro de 2013 às 09h15.

Cidade do Vaticano - O papa Francisco pediu nesta terça-feira aos países que acolham e respeitem os refugiados, sem tratá-los como "peões no tabuleiro de xadrez da humanidade".

Francisco, que faz da defesa dos pobres e vulneráveis a principal marca do seu pontificado, disse em mensagem por ocasião do Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados que precisa haver uma mudança de atitude por parte dos países anfitriões.

"Os migrantes e refugiados não são peões no tabuleiro de xadrez da humanidade", disse o papa em carta enviada a instituições governamentais e internacionais, como a ONU.

"São crianças, mulheres e homens que deixam ou são forçados a deixar suas casas por várias razões, que partilham de um desejo legítimo de saberem e terem, mas acima de tudo de serem mais." O papa também repetiu sua condenação ao "trabalho escravo" e ao tráfico humano, ampliando sua crítica à "cultura descartável" -- termo que ele tem usado para descrever uma sociedade em que os improdutivos, como os idosos, são negligenciados como objetos que perderam a utilidade.

O papa, descendente de italianos que migraram para a Argentina no começo do século 20, defendeu a "eliminação de preconceitos e pressuposições" a respeito da migração.

"Não de forma infrequente, a chegada de imigrantes, pessoas desalojadas, candidatos a asilo e refugiados dá margem a suspeita e hostilidade. Há um temor de que a sociedade se torne menos segura, que a identidade e a cultura se percam, que a concorrência por empregos se torne mais forte, e que mesmo a atividade criminal aumente." Na mensagem, Francisco recriminou empresas que exploram imigrantes e refugiados, muitos deles trabalhando em troca de baixos salários diários em lavouras e fábricas clandestinas da Itália e outros lugares da Europa.


"Particularmente perturbadoras são essas situações onde a migração é não só involuntária, como na verdade acionada por várias formas de tráfico humano e escravização. Hoje em dia, ‘trabalho escravo' é uma moeda comum", afirmou o papa.

Em julho, na sua primeira viagem para fora de Roma desde a eleição como papa, ocorrida em março, Francisco foi à ilha de Lampedusa, no sul da Itália, para chamar a atenção do drama de milhares de refugiados e migrantes que desembarcam por lá todos os anos.

"Uma mudança de atitude com relação aos migrantes e refugiados é necessária por parte de todos, afastando-nos das atitudes de defesa e medo, indiferença e marginalização - todas típicas de uma cultura descartável -, no sentido de atitudes baseadas em uma cultura do encontro, a única cultura capaz de construir um mundo melhor, mais justo e fraterno", disse o pontífice na mensagem.

"O desenvolvimento não pode ser reduzido só ao crescimento econômico, muitas vezes obtido sem um pensamento pelos pobres e vulneráveis."

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