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Lagarde afirma que tarifas de Trump vão 'desestabilizar' o atual mundo comercial

Presidente do Banco Central Europeu ressaltou que as tarifas do governo dos EUA também representam uma "oportunidade" para a Europa se tornar mais autossuficiente

Christine Lagarde: presidente do Banco Central Europeu manfestou preocupação com os impactos das tarifas de Donald Trump nos países europeus (Paul Hanna/Getty Images)

Christine Lagarde: presidente do Banco Central Europeu manfestou preocupação com os impactos das tarifas de Donald Trump nos países europeus (Paul Hanna/Getty Images)

EFE
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Agência de Notícias

Publicado em 2 de abril de 2025 às 15h10.

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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse nesta quarta-feira que as tarifas que serão anunciadas hoje pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "desestabilizarão o mundo do comércio como o conhecemos".

Ao comentar o que Trump vem chamando de "Dia da Libertação" dos EUA, a economista francesa afirmou durante uma entrevista no programa de rádio irlandês "The Pat Kenny Show" que o impacto do anúncio das tarifas "não será bom para aqueles que impõem as taxas nem para aqueles que retaliam".

"No dia de hoje, quando se supõe que deve ser anunciado, nós simplesmente não sabemos realmente qual será o acordo para o resto do mundo. O que sabemos é que não será bom para a economia global", declarou.

A presidente do BCE também explicou que "a densidade e a durabilidade do impacto (das tarifas) variarão dependendo do seu escopo, dos produtos que visam, da sua duração e se estão ou não ocorrendo negociações".

Por outro lado, observou que as escaladas tarifárias, por serem "prejudiciais", muitas vezes levam a negociações que permitem que algumas dessas barreiras comerciais sejam eliminadas.

Lagarde, no entanto, evitou dar sua opinião sobre como a União Europeia (UE) deveria responder aos impostos, dizendo que era algo "para os líderes políticos decidirem".

"Nosso trabalho no Banco Central é nos antecipar e explicar a eles (líderes políticos) quais serão as consequências em termos de impacto econômico, porque será negativo em todo o mundo", acrescentou.

Da mesma forma, as tarifas também representam uma "oportunidade" para a Europa se tornar mais autossuficiente, no que Lagarde chamou de "o início de uma marcha em direção à independência".

"Não deveríamos focar exclusivamente no que está acontecendo do outro lado do oceano; deveríamos focar na força que temos em casa e como podemos recuperar a independência que não temos. Isso se aplica à defesa, comércio, finanças e à maneira como o dinheiro se movimenta na Europa", completou.

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