Mundo

Juiz ordena que imigrante deportado por engano para prisão em El Salvador retorne aos EUA

Agentes de imigração ignoraram uma decisão judicial de 2019 que impedia a expulsão do homem devido ao risco de perseguição de gangues no seu país

Agência o Globo
Agência o Globo

Agência de notícias

Publicado em 4 de abril de 2025 às 19h34.

Tudo sobreEstados Unidos (EUA)
Saiba mais

Um juiz federal dos Estados Unidos determinou nesta sexta-feira que o governo americano providencie o retorno imediato de Kilmar Abrego Garcia, um imigrante salvadorenho que foi deportado por engano para uma prisão em El Salvador.

Morador de Maryland, ele estava com status migratório regularizado no país. A decisão judicial ocorre após protestos liderados por sua esposa, Jennifer Vasquez Sura, que tem cidadania americana, segundo informações da agência Associated Press (AP).

Kilmar Abrego Garcia foi deportado pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE, na sigla em inglês) mesmo após uma decisão de 2019 que impedia sua expulsão para El Salvador por correr risco de perseguição por gangues do país. No mês passado, o homem foi acusado de pertencer à gangue MS-13 e acabou detido em uma penitenciária salvadorenha conhecida por abrigar membros de organizações criminosas.

A esposa de Garcia, Jennifer Vasquez Sura, tem liderado mobilizações pelo retorno do marido. Em um protesto recente em Hyattsville, Maryland, ela disse:

— A todas as esposas, mães, crianças que também enfrentam essa separação cruel, eu estou com vocês nesse laço de dor. É uma jornada que ninguém jamais deveria ter que sofrer, um pesadelo que parece não ter fim.

Desde a deportação, Jennifer não tem contato com o marido. Emocionada, declarou à AP:

— Se eu tivesse todo o dinheiro do mundo, eu gastaria tudo para comprar uma única coisa: uma ligação para ouvir a voz do Kilmar de novo. Kilmar, se você pode me ouvir, eu sinto tanto a sua falta, e estou fazendo o melhor para lutar por você e por nossos filhos.

O governo dos EUA afirma que os tribunais americanos não têm mais jurisdição sobre o caso porque Garcia não está mais em território nacional. No entanto, segundo seus advogados, não há provas de que ele pertença à gangue MS-13, designada como organização terrorista estrangeira pelo governo Trump. A acusação teria vindo de uma fonte confidencial, em 2019, sobre uma célula da gangue em Nova York — cidade onde Garcia nunca morou.

O advogado Simon Sandoval-Moshenberg afirmou que o cliente tinha autorização legal para trabalhar nos EUA, atuava como aprendiz de montador de chapas metálicas e buscava obter sua licença profissional. Ele fugiu de El Salvador em 2011 após ameaças de gangues, e, em 2019, recebeu proteção formal de um juiz de imigração. A decisão não foi contestada pelo ICE.

Após sua liberação, Garcia se casou com Vasquez Sura. O casal tem um filho e cuida de outros dois filhos do relacionamento anterior de Jennifer. A campanha para reunificar a família agora seguirá para os tribunais em Greenbelt, subúrbio de Washington, D.C.

Acompanhe tudo sobre:El SalvadorImigraçãoEstados Unidos (EUA)Donald Trump

Mais de Mundo

Reino Unido corre para fechar um acordo após tarifas de 10% impostas por Trump

Exército de Israel intensifica operações em Gaza

Jantares e vinhos mais caros? Restaurantes e produtores dos EUA criticam novas tarifas de Trump

ONU manifesta preocupação com impacto das tarifas de Trump nos 'países mais vulneráveis'