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Índia pode se beneficiar das tarifas de Trump sobre a China, mas Elon Musk é peça-chave

Empresário possui grande exposição econômica à China e pode influenciar política americana

Vincenzo Calcopietro
Vincenzo Calcopietro

Redator na Exame

Publicado em 17 de janeiro de 2025 às 12h35.

Donald Trump, presidente eleito dos Estados Unidos que assume o cargo na segunda-feira, 20, tem prometido aplicar diversas tarifas sobre as importações globais, incluindo países aliados como Canadá e México, mas também competidores, em especial a China. Nesse caso, a taxação sobre o país asiático poderia beneficiar a Índia. 

Ao aplicar essa política protecionista contra a China, é esperado que as empresas dos EUA busquem diversificar seus parceiros comerciais para manter a cadeia de suprimentos normalizada. 

Com isso, a Índia aparece nos holofotes e possui grandes chances de aumentar suas exportações, considerando que Trump, até o momento, não incluiu o país em suas falas. 

Porém, Elon Musk poderia entrar no caminho da península indiana. Musk foi um dos grandes apoiadores de Trump durante sua campanha e faz parte do círculo interno do político, devendo inclusive chefiar o novo Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, em inglês) do governo dos EUA. 

Musk também é CEO da Tesla, uma das principais empresas de carros elétricos do mundo e, por conta disso, possui grande exposição econômica à China.

Nesse sentido, o empresário pode desempenhar um papel crucial nos acordos comerciais entre EUA e China para evitar que sua companhia seja prejudicada.

Além disso, o chefe da Tesla já reclamou da taxação de importação de automóveis da índia, afirmando ser “uma das mais altas do mundo”. Como resposta, o governo indiano reduziu as tarifas de importações de 100% para 15%, mas apenas temporariamente. 

A política tarifária vai funcionar? 

Analistas apontam que as taxações, por si só, não conseguiram impulsionar a economia americana no ritmo esperado. As tarifas poderiam, inclusive, ter um efeito negativo, pressionando a inflação sem que haja crescimento econômico, relata a CNBCNesse sentido, informações de Washington sugerem que as tarifas provavelmente não serão tão extensas. 

Outro ponto é que, mesmo com as taxações sobre a China, as empresas americanas possuem grande dependência do país asiático, o que deve retardar o fluxo de migração de China para índia. 

Em conjunto, também deve ser considerado o fato que a política de Trump dura apenas quatro anos, já que, segundo a legislação americana, ninguém pode cumprir mais de dois mandados e ele já assumiu a presidência em 2017. Assim, não há como prever o que o próximo governo fará sobre as medidas trumpistas.

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