Agência de notícias
Publicado em 27 de março de 2025 às 21h07.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse nesta quinta-feira que o governo cancelou os vistos de mais de 300 estudantes internacionais supostamente envolvidos nos protestos anti-Israel que tomaram as universidades americanas no ano passado.
Durante a declaração, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos chamou os alunos de "lunáticos" e afirmou esperar se "livrar" de todos eles em questão de tempo.
— Talvez mais de 300 neste momento. Fazemos isso todos os dias — disse Rubio a repórteres, durante uma visita à Guiana, após ser solicitado a confirmar os números. — Toda vez que encontro um desses lunáticos, tiro seus vistos. Em algum momento, espero que acabem os vistos porque já nos livramos deles.
Desde que o presidente americano, Donald Trump, retornou à Casa Branca em 20 de janeiro, Rubio tem agido agressivamente contra os estudantes que estiveram na linha de frente dos protestos contra o apoio americano a Israel na guerra de Gaza.
O caso de maior destaque é o de Mahmoud Khalil, que liderou os protestos na Universidade de Columbia, em Nova York. Ele foi preso pela polícia migratória (ICE, na sigla em inglês) este mês e levado para Louisiana antes do processo de deportação, apesar de ter visto de residência permanente nos EUA.
Rubio foi questionado sobre um caso recente na Universidade Tufts, em Massachusetts, onde agentes de imigração prenderam uma estudante de doutorado turca, Rumeysa Ozturk, que havia escrito um artigo de opinião em um jornal do campus exigindo que a universidade reconhecesse um “genocídio” contra os palestinos.
A congressista Ayanna Pressley, democrata de Massachusetts, acusou o governo Trump de “sequestrar estudantes com status legal”. "Essa é uma violação horrível dos direitos constitucionais de Rumeysa ao devido processo legal e à liberdade de expressão. Ela deve ser libertada imediatamente”, escreveu Pressley em um comunicado.
A Casa Branca respondeu que a proteção constitucional de liberdade de expressão dos EUA não se aplica a cidadãos não americanos e acusou os ativistas de criar uma atmosfera perigosa para os estudantes judeus.
Sem comentar diretamente sobre o caso da Tufts, Rubio disse:
— Se você nos disser que o motivo pelo qual está vindo para os Estados Unidos não é apenas porque quer escrever artigos de opinião, mas porque quer participar de movimentos envolvidos em ações como vandalizar universidades, assediar estudantes, tomar prédios, criar tumulto, não lhe daremos um visto — afirmou. — Se você mentir para nós, conseguir um visto e depois entrar nos Estados Unidos e, com esse visto, participar desse tipo de atividade, nós lhe tiraremos o visto.