Mundo

China critica expansionismo dos EUA na Ásia

Em um relatório, o governo chinês assegurou ainda que não persegue "nenhum tipo de hegemonia" na região


	Embarcação do governo japonês navega em torno das ilhas disputadas conhecidas como Senkaku no Japão e Diaoyu na China: o governo também criticou o Japão pela disputa
 (REUTERS/Kyodo)

Embarcação do governo japonês navega em torno das ilhas disputadas conhecidas como Senkaku no Japão e Diaoyu na China: o governo também criticou o Japão pela disputa (REUTERS/Kyodo)

DR

Da Redação

Publicado em 16 de abril de 2013 às 10h25.

Pequim - O governo da China publicou nesta terça-feira um relatório sobre a atual situação de suas Forças Armadas, no qual as autoridades do país asiático asseguraram não perseguir "nenhum tipo de hegemonia" e criticaram os Estados Unidos pelo aumento de sua presença militar na Ásia.

O documento, o oitavo deste tipo que é publicado pelo Exército chinês desde 1998, também acusa as nações vizinhas (em alusão a países como Filipinas e Vietnã) de "desenvolver ações que complicam a situação".

Além disso, o relatório também ressaltou que o Japão "está causando problemas em relação às ilhas Diaoyu", arquipélago que ambas as nações reivindicam e que, de fato, é controlado por Tóquio sob o nome de Senkaku.

As autoridades militares chinesas asseguram que as ameaças contra a China por parte do terrorismo, do separatismo e do extremismo também estão aumentando, sendo que, segundo o relatório, as atividades dos independentistas taiuaneses representam "a maior ameaça ao desenvolvimento pacífico das relações de ambos os lados do Estreito (de Formosa)".

Em relação às crescentes tensões regionais, o relatório evidenciou que o Exército de Libertação Popular (ELP), o maior do mundo em número de soldados, "nunca atacará a menos que seja atacado" e especifica que "sem dúvida contra-atacará se for atacado".

Ao mesmo tempo, o gigante asiático "nunca buscará a hegemonia ou se comportará de maneira hegemônica, nem se envolverá em uma expansão militar", apontou o relatório, que, no entanto, deixou claro os desejos da China de se transformar em uma "potência marítima".

"As Forças Armadas se empregam para salvaguardar a fronteira e a segurança litorânea e territorial, além de fortalecer a preparação para o combate", resumiu as autoridades militares no relatório, que também menciona que a China é o país com mais quilômetros de fronteira (22.147) e, ao lado da Rússia, é o que mais vizinhos tem (14), fato que dificulta seus trabalhos defensivos.

Diferente dos relatórios anteriores, o documento especifica pela primeira vez alguns números sobre o tamanho dos diferentes galhos do Exército chinês.


Concretamente, o relatório evidencia que o exército de terra é composto por 850 mil soldados, enquanto as Forças Armadas têm 235 mil, e as Forças Aéreas 398 mil.

No entanto, o relatório não cita números de quantos membros têm outros dois principais galhos do Exército chinês, sua divisão de artilharia (responsável pelo armamento nuclear e pelos mísseis) e a Polícia Marinha (corporação que costuma intervir no controle de manifestações, protestos e distúrbios sociais).

No total, calcula-se que o Exército chinês tem mais de 2 milhões de soldados, embora possa ter reduzido ligeiramente seu número de contingente nos últimos anos, durante seu processo de modernização.

Segundo o documento, em um contexto mundial complicado e que mudou diametralmente desde o início do século, as Forças Armadas chinesas têm "a árdua tarefa de salvaguardar sua unificação nacional, sua integridade territorial e seus interesses por trás do desenvolvimento".

O relatório insiste que o ELP deve continuar evoluindo e melhorando sua capacidade de defesa, com o objetivo de estar apto a "ganhar guerras locais em um mundo informatizado", um discurso que os líderes chineses já sublinharam no último ano durante o XVIII Congresso do Partido Comunista.

Além dos números, o relatório detalhou alguns trabalhos que o Exército chinês tem realizado nos últimos anos, como sua participação nas forças internacionais de escolta no Golfo de Áden, onde a Marinha chinesa recuperou a quatro navios das mãos de piratas somalis e evitou outros 20 sequestros.

O relatório também destaca os usos humanitários das Forças Armadas e revela que uma das maiores mobilizações militares dos últimos anos foi a realizada para atender os desabrigados pela onda de frio e neve que afetou o sul da China no inverno de 2008, uma operação que contou com 1,26 milhão de soldados.

*Matéria atualizada às 10h25

Acompanhe tudo sobre:ÁsiaChinaDiplomaciaJapãoPaíses ricos

Mais de Mundo

De Rússia a Vaticano, que países ficaram de fora da lista de tarifas de Trump?

Governo Milei comemora após Argentina ser afetada com 'tarifas mais baixas' dos EUA

Hungria anuncia que vai se retirar do Tribunal Penal Internacional após chegada de Netanyahu

Trump compara tarifas a uma cirurgia e diz que 'paciente sobreviveu e está se recuperando'