Mundo

Atentados na Noruega: suspeito citou Putin e o Papa em seu manifesto

Em um texto de 1.500 páginas, Anders Behring Breivik se refere à Rússia quando fala do modo ideal de governo

O texto, publicado na internet diariamente, inclui ainda um manual sobre como montar bombas e um discurso contra o Islã e o marxismo (AFP)

O texto, publicado na internet diariamente, inclui ainda um manual sobre como montar bombas e um discurso contra o Islã e o marxismo (AFP)

DR

Da Redação

Publicado em 25 de julho de 2011 às 12h37.

Moscou - Vários meios de comunicação russos assinalaram nesta segunda-feira que o suspeito dos mortíferos ataques de sexta-feira na Noruega citou o primeiro-ministro russo Vladimir Putin e a forma de governo aplicada na Rússia entre suas referência em um manifesto difundido na internet.

Em seu manifesto de 1.500 páginas, Anders Behring Breivik se refere à Rússia quando fala do modo ideal de governo, afirma o jornal Kommersant.

"A democracia de massas que mostrou sua ineficácia na Europa deve ser substituída por uma forma de democracia dirigida que se assemelhe à da Rússia", afirma o autor do texto.

"Entre os políticos russos, o texto se refere mais frequentemente ao primeiro-ministro Vladimir Putin. Ele o coloca, assim como ao Papa, na lista de pessoas que gostaria de conhecer pessoalmente", acrescenta o Kommersant.

"Putin dá a impressão de ser um líder justo e firme, que merece respeito", acrescenta o texto.

O jornal on-line gazeta.ru enfatiza, por sua parte, que além da referência ao atual primeiro-ministro russo, o texto do suspeito toma como modelo o movimento de jovens pró-Putin para a criação de um "movimento conservador e patriótico juvenil" na Noruega.

O documento de 1.500 páginas redigido aparentemente pelo norueguês que matou 92 pessoas em dois atentados em Oslo revela que o ataque já era preparado desde o outono (boreal) de 2009.

O texto, publicado na internet diariamente, inclui um manual sobre como montar bombas e um discurso contra o Islã e o marxismo.

Anders Behring Breivik, um norueguês de 32 anos, detalha os preparativos de sua ação, destacando "o uso do terrorismo como um meio de despertar as massas", e admite que será lembrado como "o maior monstro nazista desde a II Guerra Mundial".

Com várias referências históricas, o manifesto inclui numerosos detalhes da personalidade do agressor, seu modus operandi para fabricar bombas e seu treinamento de tiro, além de um minucioso diário dos três meses que precederam o ataque.

O texto, escrito em inglês, tem o título "A European Delaration of Independence - 2083" (Uma declaração de Independência Europeia - 2083) e é firmado sob o pseudônimo "Andrew Berwick".

"Meu nome, Breivik, remonta à época anterior a dos vikings. Behring é um nome germânico pré-cristão que deriva da palavra Behr, que em alemão significa urso (...) e Anders (Andreas) é o equivalente escandinavo de (...) Andrew", explica.

"Um alvo prioritário é a reunião anual do partido socialista/social democrata", diz o texto, que também explica como montar uma empresa de fachada, mineradora ou agrícola, para adquirir explosivos.

O documento acaba assim: "Acredito que será minha última postagem. Estamos na sexta-feira, 22 de julho, às 12H51", apenas três horas antes da explosão de uma bomba no centro de Oslo e do posterior ataque à colônia de férias do Partido Trabalhista.

Behring admitiu hoje que participou dos ataques, que "foram planejados há muito tempo", informou seu advogado Geir Lippestad.

Acompanhe tudo sobre:EuropaJustiçaMassacresNoruegaPaíses ricos

Mais de Mundo

Reconstrução da Síria vai custar mais de 10 vezes o PIB do país

Secretário da Saúde de Trump diz que 20% das demissões feitas por Musk foram erros

Califórnia quer ficar isenta de represália comercial contra os EUA

Juiz ordena que imigrante deportado por engano para prisão em El Salvador retorne aos EUA