Barco com refugiados chega em Atenas: Acnur estimou que 477.906 pessoas chegaram à Europa este ano atravessando o Mediterrâneo, "porque atualmente todas as fronteiras terrestres estão fechadas" (Reuters/ Stoyan Nenov)
Da Redação
Publicado em 22 de setembro de 2015 às 09h11.
Genebra - A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) destacou nesta terça-feira que 97% das pessoas que chegaram à Grécia vêm dos dez principais países que geram refugiados, e por isso têm direito ao asilo.
"A grande maioria das pessoas que está chegando às portas da Europa são genuínos solicitantes de asilo, e têm direito a proteção internacional e a serem chamados de refugiados", afirmou Melissa Fleming, porta-voz da Acnur.
A Acnur estimou que 477.906 pessoas chegaram à Europa este ano atravessando o Mar Mediterrâneo, "porque atualmente todas as fronteiras terrestres estão fechadas, e a única via é a perigosa travessia pelo mar".
A grande maioria, mais de 175 mil, é da Síria, outros 50 mil do Afeganistão e quase 10 mil do Iraque.
"As pessoas que vêm desses países são consideradas refugiadas porque fogem de um conflito. Não entendo porquê durante quatro anos chamamos os sírios que chegaram à Jordânia, ao Líbano ou à Turquia de refugiados, e no momento em que chegam à Europa não são mais".
A "crise de refugiados", como chama a Acnur, continua no ápice, e a organização contabiliza a chegada de seis mil pessoas por dia à costa europeia, "por isso é necessária uma resposta maciça e ordenada".
"A União Europeia (UE) deve demonstrar se é verdadeiramente uma união, com uma política comum, ou só um conjunto de países que atuam individualmente", advertiu a porta-voz.
É por isso que Fleming insistiu na necessidade de "os líderes europeus acordarem e implementarem uma resposta comum a uma situação caótica e imprevisível".
Os ministros de Interior da UE se reúnem hoje para tentar chegar a uma solução comum.
"Esta pode ser a última oportunidade para uma resposta europeia coerente para solucionar uma crise que só fez exacerbar o sofrimento e a exploração dos refugiados e dos imigrantes e a tensão entre os países".
A porta-voz indicou que espera que as cotas para situar os refugiados sejam "obrigatórias" para poder esclarecer o sistema.
Mais uma vez, Fleming pediu a UE para criar centros de amparo, assistência e registro na Grécia para poder tratar os solicitantes de asilo como devem ser tratados "e para que o programa de realocação funcione como deve".
Além disso, cobrou o começo, o mais rápido possível, do processo de realocação dos 40 mil refugiados que já havia sido estabelecido pela UE, assim como o retorno "de uma forma humana" dos imigrantes que não tiverem direito a proteção internacional aos seus países.
Finalmente, a porta-voz pediu à UE que ajude os países que fazem fronteira com a Síria fornecendo os recursos necessários para lidar com os quatro milhões de refugiados que acolhem, e estabelecer novas vias para entrar legalmente na União.
Flemig insistiu que a situação na Europa "é manejável", mas lembrou à UE que, apesar da proposta de receber e alocar 160 mil refugiados ser positiva, o plano deveria ser estabelecido para pelo menos 200 mil pessoas, e com a capacidade de ser ampliado.
Com relação ao fechamento de fronteiras implementado por alguns países centro-europeus e especialmente às draconianas leis aprovadas recentemente pela Hungria, Fleming se limitou a lembrar "que solicitar asilo não é um crime".