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Volume de negociação de todos os BDRs não supera o de uma ação do Ibovespa

Novas regras darão ao pequeno investidor acesso a mais de 500 ativos, mas liquidez ainda preocupa

Mais negociada, BDR da Amazon movimenta, em média 3,771 milhões de reais por dia (Michael Nagle/Bloomberg via/Getty Images)

Mais negociada, BDR da Amazon movimenta, em média 3,771 milhões de reais por dia (Michael Nagle/Bloomberg via/Getty Images)

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Guilherme Guilherme

Publicado em 14 de agosto de 2020 às 12h07.

Última atualização em 25 de agosto de 2020 às 16h16.

A partir de setembro, irá vigorar a nova regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que permite a negociação de recibos de ações (BDRs) não patrocinadas por qualquer pessoa. Com isso, os pequenos investidores terão acesso a pelo menos 552 ativos que antes eram indisponíveis para aqueles que não tivessem 1 milhão de reais em investimentos ou mais.

O BDR serve para que se negocie no Brasil as ações de empresas listadas fora do país, como no mercado americano ou europeu. Além de considerar a performance do ativo em seu local de origem, o BDR também leva em conta a variação cambial.

A quantidade de BDRs na B3 chega a ser superior ao número de ações de companhias brasileiras listadas. Entre elas, estão as de algumas das maiores empresas do mundo como Amazon, Apple, Nike, J.P. Morgan e McDonald’s.

Mas apesar da variedade de BDRs, o volume de negociação ainda é baixo. De acordo com dados do sistema de informações financeiras Economatica, a média do volume diário de negociação de toda essa classe de ativos é de 59,860 milhões de reais. Apenas as ações da Via Varejo têm volume médio diário de 1,098 bilhão de reais, mais de 17 vezes maior. Já o volume de negociação médio das ações da Yduqs, uma das menos negociadas do Ibovespa, é de 137,4 milhões de reais.

O BDR mais negociado, o da Amazon gira em média 3,771 milhões de reais por dia, enquanto outros, como da Xerox e da empresa de vestuário GAP, passam dias sem serem negociados.

Para tentar prover liquidez, está sendo feito uso de formadores de mercado em todos os BDRs, segundo a B3. Dessa forma o investidor consegue comprar ou vender o ativo quando uma dessas duas pontas não existirem. Por outro lado, os BDRs nem sempre acompanham a performance das ações adicionadas de sua variação cambial, principalmente no curto prazo. Isso é o que explica o analista e ex-J.P. Morgan, Victor Savioli.

“O formador de mercado ajuda, mas a liquidez lá fora sempre vai ser maior. Então, a variação do BDR nunca vai ser exatamente igual à da ação. Acaba ficando um pouco à mercê de quanto os investidores estão dispostos a pagar”, afirma

Apesar de ainda serem pouco populares, esse tem se tornado um produto cada vez mais negociado no mercado. De acordo com a Economatica, o volume diário médio de negociação dos BDRs cresceu 267% neste ano, considerando os dados de até o início de agosto e 86.653% desde 2011. A expectativa é de que esses números aumentem ainda mais quando os pequenos investidores puderem negociá-los.

Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV Eaesp, porém, não acredita que o volume de negociação dos BDRs vai explodir de uma hora para a outra. “Pode aumentar, mas a quantidade de pessoas que negociam ações já é pequena e podem existir algumas barreiras, como de linguagem e outros padrões de demonstrações contábeis que podem desfavorecer a entrada de investidores individuais”, comenta.

Segundo ela, a liquidez também é algo que deve ser levado em conta antes de sair comprando BDRs. “Se a liquidez for uma preocupação, faz sentido abrir conta em uma corretora estrangeira para operar o ativo em seu mercado de origem.”

 

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