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Providência, ligada aos donos da Gol, quer captar cerca de R$ 500 mi com ações

Em outubro de 2006, a família Constantino comprou 27,8% da companhia, que agora prepara sua estréia na Bovespa

EXAME.com (EXAME.com)

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Da Redação

Publicado em 9 de julho de 2012 às 20h07.

A Providência, controlada por um grupo de investidores que inclui a família Constantino - donos da Gol -, prepara-se para estrear no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo. A companhia realizará uma distribuição primária de 31,250 milhões de ações ordinárias. Segundo o comunicado desta terça-feira (10/7), a empresa espera que o preço de venda fique na faixa de 14 a 18 reais. Se considerado o preço médio de 16 reais, a captação atingiria 500 milhões de reais. A oferta ainda pode crescer, se os seus coordenadores optarem por lançar ainda um lote suplementar igual a 15% do total, além de um lote adicional de mais 20% das ações inicialmente programadas.

A Providência estima ser a maior fabricante brasileira de não-tecidos - tipo de produto utilizado em diversos ramos, como fraldas, roupas médicas descartáveis e absorventes femininos. Com capacidade instalada de 54.100 toneladas anuais de não-tecidos, a companhia afirma deter 49% do mercado de descartáveis e 40% do de duráveis. A Providência também fabrica tubos e conexões de PVC, com capacidade de 30.300 toneladas anuais. A empresa opera ainda uma linha de 2.000 toneladas anuais para produzir embalagens.

Fundada em 1963 pela família Starostik, em outubro do ano passado, um grupo de investidores adquiriu a empresa, em um negócio avaliado em 1 bilhão de reais na época. A notícia foi antecipada por EXAME. O consórcio é formado pelo fundo americano de private equity AIG, que detém 28,9% da Providência; Fundo de Investimentos Asas, da família Constantino (27,8%); Governança & Gestão Investimentos (28,9%); e Grupo Espírito Santo (14,4%).

Desempenho

A Providência anuncia sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) em um momento de números difíceis para a empresa. Os resultados comerciais e financeiros não acompanham o aumento da produção física de não-tecidos, embalagens e tubos. No ano passado, a companhia produziu um total de 78.080 toneladas de produtos - um acréscimo de 16% sobre o ano anterior. A receita bruta, porém, recuou de 581,476 milhões de reais para 558,272 milhões na mesma comparação. O lucro operacional caiu 13,7%, para 110,043 milhões de reais. E o lucro líquido, 94,205 milhões de reais, foi 9,2% menor.

Em um momento de abertura de capital, a empresa também apresenta queda no lucro líquido por ação - um dos indicadores mais valorizados pelos investidores. No ano passado, a cifra foi de 1,45 real por ação, 9,4% menor que o 1,6 real registrado em 2005.

Os números do primeiro trimestre também são desfavoráveis, tanto na comparação com o mesmo período de 2006, quanto no confronto com o último trimestre do ano passado. O lucro líquido, por exemplo, somou 9,723 milhões de reais - 73% menor que o do mesmo trimestre de 2006; e 0,7% inferior ao dos últimos meses do mesmo ano.

Destinação de recursos

De acordo com o prospecto preliminar da operação, 53% dos recursos captados serão empregados no pagamento de dívidas de curto prazo, representadas por notas promissórias a emitir. Em janeiro deste ano, a companhia emitiu 475 milhões de reais em papéis desse tipo, com prazo de vencimento de 180 dias. Para financiar o resgate dessas notas, a empresa pretende lançar, em 27 de julho, uma segunda série de notas promissórias, no valor de 504 milhões de reais e vencimento em 180 dias.

O dinheiro obtido com o IPO será usado para quitar parte dessa segunda série de notas. Se considerado o preço médio de venda, a captação líquida - descontado o pagamento de taxas e comissões - será de 480,7 milhões de reais. Por isso, os 53% de recursos previstos no prospecto serão suficientes para quitar cerca de 255 milhões da segunda série de notas. O restante será financiado por uma emissão de debêntures simples.

Outros 28% serão usados em novos investimentos, como abertura de subsidiárias no exterior e expansão da capacidade instalada. Nove por cento da quantia será aplicada em capital de giro. Para eventuais aquisições, serão reservados 10% da captação.

Cronograma da operação

A oferta está aberta a investidores institucionais (lote mínimo de 300.000 reais) e não-institucionais (pessoas físicas e clubes de investimento, por exemplo), com aplicação entre 3.000 e 300.000 reais. Os coordenadores da oferta são o UBS Pactual e o Santander Global Banking & Markets. Os interessados devem prestar atenção nas seguintes datas:

17 de julho - início do período de reservas;

24 de julho - fim do período de reservas;

25 de julho - fixação do preço por ação;

27 de julho - início das negociações na Bovespa;

31 de julho - liquidação da operação.

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