Sunset view with silhouette of an oil rig petróleo poluição GEE emissões de CO2 aquecimento global (Getty Images/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 8 de abril de 2025 às 07h33.
O mercado internacional de petróleo vive um momento de forte volatilidade. Em relatório divulgado nesta segunda-feira, 7, analistas do Goldman Sachs (GS) indicaram que o preço do barril do tipo Brent pode cair para menos de US$ 40 em um cenário extremo até o final de 2026.
Atualmente, o barril de Brent, principal referência global, está cotado a cerca de US$ 64, enquanto o petróleo WTI, usado como referência nos Estados Unidos, gira em torno de US$ 60. Ambos acumulam queda de aproximadamente 15% no ano.
A projeção base do banco considera um cenário moderado, sem recessão nos EUA e com aumento gradual na oferta da Opep+. Nessa hipótese, o Brent chegaria a US$ 55 e o WTI a US$ 51 em dezembro de 2026.
Mas, em caso de desaceleração econômica global combinada com a suspensão completa dos cortes de produção pela Opep+, o Brent pode recuar para menos de US$ 40 o barril.
Esse patamar não é observado desde o início de 2020, quando o choque de demanda provocado pela pandemia derrubou os preços do petróleo no mundo inteiro.
As recentes quedas nos preços — mais de 7% só na última quinta-feira — ocorreram após o anúncio de novas tarifas comerciais pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a decisão inesperada da Opep+ de ampliar sua produção.
A combinação entre aumento na oferta e incerteza econômica tem deslocado a percepção do mercado de escassez para abundância, segundo especialistas.
Além disso, uma recessão típica nos Estados Unidos, ainda que não tão severa, poderia levar o Brent a US$ 58 em dezembro de 2025 e a US$ 50 um ano depois, conforme estimativas do Goldman Sachs.
Para a indústria de energia, os preços baixos representam um desafio. Com custos médios de produção acima de US$ 62 por barril, muitas empresas norte-americanas já operam no limite da rentabilidade, segundo a consultoria Rystad Energy.
A queda nos preços afeta diretamente os planos de crescimento da produção nos EUA, que dependem de investimentos pesados e de previsibilidade regulatória. As novas tarifas sobre aço, por exemplo, aumentam os custos de construção de poços de petróleo, reduzindo ainda mais as margens das operadoras.
Mesmo que preços mais baixos beneficiem os consumidores, eles também ameaçam a estratégia do governo Trump de promover o domínio energético dos EUA por meio do aumento da produção de combustíveis fósseis — uma política frequentemente resumida pelo slogan “drill, baby, drill”.