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Juros oscilam com volatilidade após decisão do Copom

Banco Central agiu dentro da previsibilidade e reduziu a Selic em 0,50 ponto porcentual

Tombini: E o BC manteve as portas abertas para novas reduções na Selic (Ueslei Marcelino/Reuters)

Tombini: E o BC manteve as portas abertas para novas reduções na Selic (Ueslei Marcelino/Reuters)

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Da Redação

Publicado em 12 de julho de 2012 às 11h48.

São Paulo - O mercado futuro de juros comporta-se de forma volátil. Na quarta-feira o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central agiu dentro da previsibilidade e reduziu a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 8%, como era esperado. E o BC manteve as portas abertas para novas reduções, já que usou o trecho "dando seguimento" ao processo de ajuste das condições monetárias no comunicado. Os operadores ampliam a precificação de corte da Selic em outubro, mas não indicam consenso sobre o ponto de parada da queda da taxa, dividindo-se entre aqueles que projetam 7,25% ou 7%. A dimensão dos cortes adicionais da Selic deve depender da evolução dos dados econômicos ao longo dos próximos meses e o primeiro indicador anunciado após a decisão trouxe um sinal de estabilidade.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta quinta-feira registrou em maio contração de 0,02% na comparação com abril, mas o resultado superou as projeções que eram ainda piores. A relativa estabilidade contrasta com as previsões mais pessimistas dos economistas. Segundo o AE Projeções, as estimativas coletadas entre as 28 instituições ouvidas oscilaram de uma contração de 0,20% a um recuo de 0,90%, com mediana negativa de 0,45%.

Às 10h16, o contrato para outubro de 2012 cedia a taxa para 7,81%, de 7,84% no ajuste. O contrato para janeiro de 2013 indicava 7,45%, após oscilar entre 7,43% e 7,46%, ante 7,47% no ajuste de ontem. O contrato para janeiro de 2014 apontava 7,65%, após se mover entre 7,61% e 7,66%, de 7,64% no ajuste de ontem. No janeiro de 2017, a taxa estava em 9,04%, de 9,06%.

"Como é habitual após decisões do Copom, o mercado deve ter várias oscilações até achar um ponto de equilíbrio. Mas deve fazer a consolidação da previsão de que a Selic pode cair a 7% até o final do ano", comentou um operador de uma corretora de São Paulo. "Quando o BC usou que manteria a queda parcimoniosa da Selic, poucos estavam preparados para níveis ainda mais baixos dos juros. Era uma utopia. Agora, com o 'dando seguimento' deve ser consolidada a previsão de corte da Selic em outubro, o que deve ter implicação maior nos negócios de segunda e terça-feira, disse esse operador.

Segundo o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, o comunicado não cacifa o 7% na Selic e a ata da reunião de quarta-feira poderá ajudar o mercado a definir se aumenta as apostas na extensão do ciclo ou se volta a precificar a Selic em 7,50%, com apenas mais um corte no encontro de agosto. Serrano comentou que o mercado precificava queda adicional da Selic de 0,15 pp na reunião de outubro. Na sua visão, esse patamar deve se manter nesta quinta-feira ou, eventualmente, migrar para uma projeção de queda de 0,20pp. "Ou seja, mais para 7,25% do que para 7,00% de Selic. E o IBC-BR, apesar de ruim, pode ajudar nesse processo, pois veio acima do esperado", completou.


Na decisão de quarta-feira, ao levar a Selic para nova mínima histórica de 8% ao ano, o BC garantiu um cenário de previsibilidade. O ajuste da taxa básica reduz automaticamente a remuneração da caderneta de poupança, conforme as novas regras de reajuste desse investimento.

Com a nova Selic, a poupança terá rendimento de 5,6% ao ano, mais a Taxa Referencial, que fica praticamente zerada agora.

No exterior, os ativos associados a maior risco e mais sensibilidade ao ritmo da economia mantêm rumo de queda, após a divulgação ontem da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve ter dado sinais claros de que o relaxamento quantitativo pelo BC dos EUA não está a caminho.

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