Mercados

Crise ou correção passageira? O bitcoin patina

Mais famosa das criptomoedas era cotada nesta sexta-feira às 10h55 GMT (8h55 de Brasília) a cerca de 14.300 dólares, contra 20 mil dólares na segunda-feira

Bitcoin: criptomoeda perdeu cerca de um quarto do seu valor em uma semana (foto/Getty Images)

Bitcoin: criptomoeda perdeu cerca de um quarto do seu valor em uma semana (foto/Getty Images)

A

AFP

Publicado em 22 de dezembro de 2017 às 12h06.

Uma crise? Ou a correção temporária de uma moeda virtual errática? O bitcoin despencava nesta sexta-feira, quase tão abruptamente como subiu nas últimas semanas, sem que os especialistas financeiros realmente saibam como explicar o fenômeno.

A mais famosa das criptomoedas era cotada nesta sexta-feira às 10h55 GMT (8h55 de Brasília) a cerca de 14.300 dólares, de acordo com os dados compilados pela agência Bloomberg, enquanto na segunda-feira se aproximava de US$ 20.000.

O bitcoin, que não parou de crescer depois de começar 2017 em torno de US$ 1.000, perdeu cerca de um quarto do seu valor em uma semana. Ou o equivalente ao dobro da capitalização de mercado do grupo L'Oréal, por exemplo.

A correção é particularmente brutal, mesmo para uma moeda virtual acostumada a fortes variações, e escapando das estruturas monetárias tradicionais.

Ao contrário do dólar ou do euro, o bitcoin não é emitido por bancos centrais, mas é "extraído", ou criado, de forma descentralizada, por computadores que usam algoritmos complexos para produzir uma cadeia de blocos de transações codificadas e autenticadas (a chamada "tecnologia blockchain").

Para Neil Wilson, da ETX Capital, com sede em Londres, "é difícil saber se o alerta já soou".

Essas últimas semanas trouxeram quase tantas boas notícias como ruins para o bitcoin.

Certamente ganhou alguma legitimidade com o lançamento nos Estados Unidos de instrumentos especulativos baseados em bitcoin por operadores reconhecidos. Além disso, de acordo com a Bloomberg, o gigante bancário Goldman Sachs estaria considerando entrar no "trading" de bitcoins, o que seria, de acordo com os critérios do mundo das finanças, uma espécie de consagração.

Mas o bitcoin, acusado de ser utilizado para todo tipo de tráfico ilegal, continua a ser altamente criticado.

Na quarta-feira, sua estrela começou a perder o brilho depois de informações de um ataque hacker a uma plataforma de negociação de criptografia na Coreia do Sul, Youbit. E na quinta-feira, Haruhiko Kuroda, governador do Banco do Japão, um importante mercado de bitcoin, considerou o aumento espetacular da moeda como "anormal".

Para não mencionar os rumores recorrentes da criação de criptomoedas concorrentes e rivalidades.

Para os especialistas, nada disso é suficiente para explicar sua queda repentina.

"Parece que é hora de os investidores aproveitarem seus lucros e gastá-los no Natal", disse Neil Wilson.

Não é realmente possível comprar seus presentes ou peru em bitcoins, cujo uso comercial é muito marginal. Para gastar seus bitcoins, você deve trocá-los por outra moeda, o que reduz seu preço.

Alexandre Baradez, analista do IG France, não vê explicação particular para a queda e lembra que o percurso do bitcoin sempre foi errático. Sua volatilidade "é 20 vezes superior à volatilidade euro/dólar", ressalta.

Segundo Stephen Innes, da OANDA, os investidores do bitcoin enfrentam "um retorno ao chão".

"Uma demanda desenfreada" associada a uma disponibilidade limitada "levou investidores inexperientes a apostarem com tudo", diz.

Além do bitcoin, a mania pela criptomoeda e pela tecnologia informática que serve de base, a "blockchain", continua muito forte, para não dizer irracional.

Acompanhe tudo sobre:BitcoinCriptomoedasMercado financeiro

Mais de Mercados

Com olho na Ásia, JBS (JBSS3) investirá US$ 100 milhões em duas plantas no Vietnã

Blackstone avalia adquirir participação no TikTok nos EUA, dizem fontes

Enel protocola na Aneel pedido de renovação da concessão em SP por 30 anos

Quem é Ricardo Faria, o empresário que produz 5 bilhões de ovos por ano