Radar: dia é marcado pelas decisões do Fed e do Copom (Copom/Divulgação)
Repórter de finanças
Publicado em 29 de janeiro de 2025 às 08h31.
Todas as atenções se voltam, nesta quarta-feira, 29, para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Por aqui, a expectativa é que o Banco Central (BC) eleve a taxa de juros em 1 ponto percentual.
Desde a última reunião, o Copom já contratou mais duas altas de 1 ponto percentual até março, o que levaria a taxa de juros para 14,25% na ocasião. Para sustentar as altas, o BC se baseia nas expectativas descoradas do mercado, assim como a deterioração do cenário macroeconômico atual.
Nesta segunda-feira, 27, o Boletim Focus mostrou que a expectativa para a inflação de 2025 subiu de 5,08% para 5,50%, um avanço significativo de 0,42 ponto percentual. Trata-se da 15ª revisão para cima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). E caso o ano encerre nesse patamar, a inflação fecharia 1 ponto percentual acima do teto da meta – a meta é de 3% com um limite de até 1,50% para cima ou para baixo.
Já nos Estados Unidos, as projeções apontam que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve realizar a manutenção da taxa na faixa entre 4,25% e 4,50%. Apesar dos últimos dados mostrarem que o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) veio ligeiramente menor do que as expectativas, a inflação não cede no ritmo esperado pelo Fed e ainda se mostra resiliente.
Além disso, o mercado de trabalho ainda preocupa o Fed. O último dado do payroll, relatório de empregos não-agrícolas do setor privado, mostrou que foram criados 256 mil vagas em dezembro, contra a expectativa de 155 mil, reforçando a projeção de uma economia ainda muito aquecida.
Por conta disso, o mercado aposta que o Fed só deva começar a cortar os juros em junho deste ano, em um corte de 0,25 ponto percentual. Segundo a plataforma FedWatch, do CME Group, 10 dos 19 dirigentes do Fed acreditam que o ano vai finalizar com os juros na faixa entre 3,75% a 4% – o que representaria dois cortes pela frente.
O mercado também está de olho no dólar, que fechou abaixo dos R$ 5,90 – a R$ 5,86 – pela primeira vez desde novembro de 2024. Um dos motivos possíveis para a queda da divisa, além da correção de semanas de altas, é a entrada de capital estrangeiro com a perspectiva da subida de juros por aqui, o que ajuda a beneficiar o real.
Ontem, terça-feira, 28, em um evento do UBS e do UBS BB, Luis Sthulberger, um dos maiores nomes do mercado financeiro brasileiro, também afirmou que a ausência de notícias ruins, em meio a um Congresso de férias, também ajuda no arrefecimento da moeda.
Em meio ao caso da DeepSeek, as atenções estão redobradas em relação aos balanços das big techs. Hoje, Microsoft (MSFT), Tesla (TSLA) e Meta (META), que fazem parte das “Sete Magníficas” divulgam seus resultados após o fechamento do pregão.