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Com efeito do câmbio, Petrobras reverte lucro e tem prejuízo de R$ 17 bilhões no 4º tri

ADRs caem no pós-mercado de NY logo após divulgação de balanço; companhia também anunciou que não irá pagar proventos extras

Petrobras: Em todo 2024, registrou R$ 36,6 bilhões de lucro líquido, uma queda de 70,6% em relação ao ano anterior (André Motta de Souza / Agência Petrobras/Divulgação)

Petrobras: Em todo 2024, registrou R$ 36,6 bilhões de lucro líquido, uma queda de 70,6% em relação ao ano anterior (André Motta de Souza / Agência Petrobras/Divulgação)

Raquel Brandão
Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 21h06.

Última atualização em 26 de fevereiro de 2025 às 21h15.

A Petrobras registrou um prejuízo de R$ 17 bilhões no 4º trimestre de 2024, revertendo o lucro de R$ 31 bilhões registrado no mesmo período de 2023.

O resultado foi fortemente impactado pela variação cambial nas dívidas entre a Petrobras e suas subsidiárias no exterior, um evento de natureza contábil que não afetou o fluxo de caixa da companhia. Excluindo os efeitos dos eventos exclusivos, o lucro líquido ajustado do trimestre seria de R$ 17,7 bilhões, representando uma queda de 53% em relação ao quarto trimestre de 2023.

Os recibos de ações da Petrobras na Bolsa de Nova York caíam 1,19% no after hours, após reportar prejuízo e que não pagará proventos extras. A empresa informou em fato relevante que o Conselho de Administração autorizou o pagamento de R$ 9,1 bilhões em dividendos.

Com esse montante, se aprovado em assembleia, a remuneração aos acionistas em relação ao exercício de 2024 totalizará R$ 75,8 bilhões, sendo R$ 73,9 bilhões em distribuição de dividendos e JCP, e R$ 1,9 bilhão em recompensas de ações. O valor corresponde à política de remuneração vigente da petroleira.

A receita líquida totalizou R$ 121,3 bilhões, uma redução de 6,4% frente ao trimestre anterior e 9,7% em relação ao ano anterior. A queda foi atribuída à diminuição do preço do Brent, que fechou o trimestre em US$ 74,69/bbl, 11,1% abaixo do registrado no ano passado.

A queda no volume de vendas de diesel, impactado pela sazonalidade e aumento das importações, também contribuiu para esse desempenho.

O EBITDA ajustado foi de R$ 40,9 bilhões, refletindo uma queda de 38,7% em comparação ao mesmo trimestre de 2023. A margem EBITDA foi de 34%, uma queda considerável frente aos 50% registrados no quarto trimestre do ano passado, refletindo os efeitos negativos sobre as margens do refino e o aumento dos custos operacionais.

No segmento de Exploração e Produção, o lifting cost no pré-sal subiu para US$ 6,05/boe, um aumento de 8% sobre 2023.

O fluxo de caixa livre da companhia no quarto trimestre atingiu R$ 21,7 bilhões no quarto trimestre de 2024, 45,5% menor do que há um ano e 42,9% abaixo do trimestre imediatamente anterior. O fluxo de caixa geracional, por sua vez, caiu 17%, para R$ 47,66 bilhões.

Os investimentos (capex) em 2024 atingiram US$ 16,6 bilhões, 31% a mais que em 2023, principalmente devido aos projetos no pré-sal, como os novos sistemas de produção no campo de Búzios e a revitalização do campo de Marlim. Este valor ficou 15% acima do guidance previsto para o ano.

No consolidado de 2024, a Petrobras registrou R$ 36,6 bilhões de lucro líquido, uma queda de 70,6% em relação ao ano anterior. O EBITDA ajustado foi de R$ 214,4 bilhões, uma redução de 18,2% comparado a 2023.

Dívida

A dívida líquida da Petrobras alcançou US$ 52,24 bilhões no quarto trimestre de 2024, o que representa um aumento de 16,9% em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano. Comparado ao mesmo período de 2023, o crescimento foi de 18,1%.

A dívida bruta da empresa ficou em US$ 60,31 bilhões entre outubro e dezembro, uma redução de 3,7% em relação ao trimestre anterior, mas um aumento de 2% frente ao quarto trimestre de 2023.

O limite da dívida bruta da Petrobras é de US$ 75 bilhões, conforme definido no plano estratégico 2025-2029. Já a dívida financeira da companhia atingiu US$ 23,2 bilhões ao final de 2024, o menor valor desde 2008.

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