Inteligência Artificial

"Companheiro IA": os planos da Microsoft para os próximos 50 anos, segundo Mustafa Suleyman

Executivo à frente da área de IA da empresa afirma que o futuro da tecnologia será construído com base em relações pessoais entre humanos e inteligência artificial

Mustafa Suleyman: executivo britânico recém-nomeado para liderar a área de IA da empresa

Mustafa Suleyman: executivo britânico recém-nomeado para liderar a área de IA da empresa

André Lopes
André Lopes

Repórter

Publicado em 4 de abril de 2025 às 13h31.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 13h37.

A Microsoft completou 50 anos nesta sexta-feira, 4, e na comemoração da data a empresa apresentou o que pode estar no centro de sua estratégia para a próxima metade da década. Do âmago, a empresa quer que sua inteligência artificial se torne um “companheiro pessoal” para cada usuário, moldado por suas preferências, rotinas e valores. A afirmação está na primeira carta aberta de Mustafa Suleyman, executivo britânico recém-nomeado para liderar a área de IA da empresa fundada por Bill Gates, publicada no aniversário da empresa.

Suleyman, cofundador da DeepMind, braço de inteligência artificial do Google, entrou na Microsoft após a aquisição da startup Inflection AI, em março. Agora, como vice-presidente da Microsoft AI, ele afirma que “não haverá dois Copilots iguais” — em referência ao conjunto de ferramentas de IA da empresa, que está sendo reconfigurado como uma entidade com memória, personalidade e capacidade de ação.

“O Copilot não é apenas uma IA, é sua IA. Ele lembra não apenas o que você disse, mas quem você é”, escreve o executivo. A proposta, segundo ele, é que a tecnologia deixe de ser um software genérico e passe a atuar como um parceiro constante, aprendendo com o usuário, entendendo seu contexto de vida e sugerindo ações de forma proativa.

“Estamos embarcando na jornada de transformar o Copilot em um companheiro de IA pessoal. Isso é o início de uma nova era”, diz Suleyman, para quem a empresa está revivendo a ambição original de Gates — “um PC em cada mesa e em cada casa” — agora traduzida em um agente digital que vai habitar o cotidiano de milhões de pessoas.

Entre os recursos apresentados, a nova geração do Copilot incluirá:

  • Memória personalizada: o Copilot poderá lembrar informações como preferências alimentares, datas importantes e hobbies;

  • Capacidade de ação: com o recurso Actions, o Copilot poderá reservar voos, comprar presentes e fazer reservas online;

  • Copilot Vision: integração com câmera de celular e computadores Windows, capaz de interpretar imagens em tempo real;

  • Pages: organização de notas e conteúdo em uma interface que estrutura ideias e rascunhos;

  • Podcasts gerados por IA: episódios criados a partir de conteúdos de interesse do usuário;

  • Shopping inteligente: buscas e comparações automatizadas de preços e produtos;

  • Deep Research: ferramenta de pesquisa que cruza múltiplas fontes e formatos para economizar tempo;

  • Copilot Search: nova experiência no Bing que mescla pesquisa tradicional e generativa com fontes citadas.

Todas as interações serão controladas pelo usuário, que poderá escolher o que a IA pode ou não lembrar. Suleyman afirma que a privacidade continua no centro do projeto: “Você permanece no controle, é o piloto, toma as decisões e define os limites”.

Microsoft aposta em IA relacional e contínua

Para Suleyman, o futuro da Microsoft depende da consolidação de uma nova forma de relação com a tecnologia — não mais pontual, mas permanente e adaptativa. “O Copilot ajuda você a se manter organizado, pensar claramente, aprender de forma mais intuitiva”, afirma. “Está lá quando você precisa de uma resposta rápida, um debate exploratório ou só quer relaxar após um dia difícil.”

O executivo evita falar em prazos definitivos, mas confirma que a nova fase do Copilot já começou: as versões atualizadas estão sendo lançadas a partir desta semana, com expansão gradual ao longo dos próximos meses. Os aplicativos estão disponíveis para Windows, iOS, Android e na web.

A estratégia segue a tendência das big techs de apresentar a IA como uma extensão da vida cotidiana, cada vez mais presente, proativa e integrada. O diferencial da Microsoft, segundo Suleyman, é a aposta em um relacionamento único e contínuo: “Queremos criar um Copilot para cada pessoa”.

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