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Tarifas

Stuhlberger: Trump trouxe o maior protecionismo da história — mas o Brasil saiu ‘muito beneficiado’

CEO da Verde Asset vê avanço do protecionismo americano como chance para o Brasil ganhar espaço no comércio internacional

Stuhlberger: "os dois países mais irresponsáveis fiscalmente hoje são Brasil e Estados Unidos." (Germano Lüders/Exame)
Stuhlberger: "os dois países mais irresponsáveis fiscalmente hoje são Brasil e Estados Unidos." (Germano Lüders/Exame)
Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Publicado em 3 de abril de 2025 às 18:08.

Última atualização em 3 de abril de 2025 às 22:40.

Para Luiz Stuhlberger, CEO do lendário fundo Verde, o anúncio das tarifas de Trump foi uma perda para o mundo e um passo a mais do presidente americano no tabuleiro de poder global.

O pacote de tarifas levou os Estados Unidos a “o grau de protecionismo mais alto da história americana” e deram o tom da tática de Trump de endurecer primeiro para negociar depois. “É o estilo Trump de pensar business: eu dou uma paulada, depois negocio”, disse o gestor em evento de lançamento de fundo de previdência privada multimercado Verde Icatu, realizado nesta quinta-feira, 3.

Parceiros de longa data dos Estados Unidos saíram machucados, incluindo não apenas a China, para quem o republicano já apontava sua artilharia, mas mesmo países mais próximos, como Japão, que ficou com alíquota de 24%. Mas, nesse cenário, o Brasil aparece entre os poucos países beneficiados.

A fórmula que favoreceu o Brasil

Segundo Stuhlberger, a Casa Branca criou um critério matemático para evitar acusações de perseguição. “Foi um jeito de dizer ‘não sou contra ninguém’. Estou usando uma fórmula.” Essa fórmula considera o déficit comercial bilateral para estimar quanto cada país “abusa” dos EUA.

“Como a gente tem uma balança comercial equilibrada com os EUA, essa conta dá zero. E quem dá zero tem uma tarifa mínima de 10%”, explicou. “Não é à toa que os mercados brasileiros de câmbio e juros abriram bem.”

Stuhlberger destacou que a estrutura comercial do Brasil o coloca numa posição vantajosa. “A gente vai poder exportar mais para a China.” E reforçou: “Acredito até que subam mais. A gente saiu muito beneficiado.”

Inflação em alta, juros em queda

Mesmo com o choque inflacionário que as tarifas devem gerar, Stuhlberger não acredita que isso impeça cortes de juros nos EUA. “O que pesa na decisão do Banco Central vai ser a recessão.” Na prática, a expectativa é de um dólar mais fraco e um euro fortalecido.

Stuhlberger também comentou as promessas de Trump para arrecadar. “Zero imposto de gorjeta, vender 1 milhão de vistos a US$ 5 milhões cada... até agora venderam uns 2 mil.” E acrescentou: “Os dois países mais irresponsáveis fiscalmente hoje são Brasil e Estados Unidos.”

Para o gestor, a combinação de protecionismo, populismo fiscal e instabilidade global exige cautela. “Existe um tail risk que os mercados não estão precificando”, afirmou. “A única coisa que eu posso dizer com certeza é: that is not good for business.”

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

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