Patrocínio:
Stock market analysis on digital tablet (leungchopan/Envato/Reprodução)
Especialista em criptoativos
Publicado em 5 de abril de 2025 às 11h00.
Enfim, foi dada a largada oficial à batalha comercial de Trump com o mundo. O anúncio das tarifas recíprocas aconteceu essa semana e fez os mercados despencarem.
O bitcoin caiu do patamar dos US$ 87 mil para os US$ 81 mil, mas mostrou resiliência e se recuperou, transitando agora pela faixa dos US$ 84 mil. Em meio ao aumento do temor de recessão, o ether também perdeu força e atingiu seu menor valor em 52 semanas.
O Índice de Medo e Ganância retorna ao nível de medo extremo, o que indica que os investidores estão preferindo abandonar o barco com receio de mais prejuízos.
Em meio à turbulência, entendo que é difícil olhar para um panorama mais amplo. Ainda assim, é preciso fazer esse exercício. Por quê?
Quando o investidor finalmente supera o foco no curto prazo e começa a mirar no futuro, o seu comportamento diante do cenário muda.
Você pode estar sofrendo com o impacto das quedas no seu portfólio e, eventualmente, ter vendido no medo. Mas será que essa é uma atitude correta?
O mercado cripto nada mais é que um reflexo dos nossos impulsos. A euforia exagerada convive com o pânico irracional, a ganância e o medo, a inovação e o conservadorismo.
As correções atuais têm sido vistas por muitos como um sinal de fraqueza estrutural. Para o investidor inteligente, por outro lado, esses movimentos são uma chance única de participar de um mercado em estágio embrionário, ou seja, chegar cedo é, na verdade, uma oportunidade de capturar retornos exponenciais.
Toda disrupção passa por ciclos de desconfiança e entusiasmo. Nos anos 90, a internet, por exemplo, era considerada coisa para nerds e acadêmicos. Empresas como Amazon e Google, hoje gigantes incontestáveis, viram suas ações derreterem 90% durante a bolha das pontocom. Isso tem 25 anos. Quem vendeu na época, assustado com as quedas, perdeu a chance de multiplicar investimentos por centenas ou milhares de vezes nas décadas seguintes.
É inevitável fazer um paralelo com o mercado cripto. O bitcoin foi criado em 2008, não tem nem duas décadas de existência. Já a ethereum, a segunda maior blockchain do mundo, surgiu em 2015. São tecnologias em fase de amadurecimento, assim como a internet estava nos anos 1990. A diferença fundamental é que, enquanto a internet revolucionou a comunicação, os ativos digitais estão mudando o próprio conceito de valor, propriedade e confiança nas dinâmicas financeiras.
A volatilidade é, portanto, típica de mercados nascentes. O bitcoin já passou por correções de 30%, 40%, 50% e até mais de 80%. Em todas elas, os preços não só se recuperaram, mas voltaram mais fortes, chegando a novos níveis. Quem entendeu isso soube usar as quedas como oportunidades de acumulação.
Só para se ter uma ideia, hoje só 4% da população mundial tem bitcoin, segundo dados de um novo relatório da River, empresa de serviços financeiros cripto. Eles estimam que a moeda tenha alcançado apenas 3% de seu potencial máximo de adoção.
Contextualizando: em 1995, de acordo com o Global Policy Forum, só 0,4% da população global usava a internet. Atualmente, somos 5 bilhões de usuários. A criptoesfera está em um estágio parecido, como mostra o gráfico acima. A adoção em massa não é uma questão de "se", mas de "quando".
Isso significa que, em vez de se apavorar, você deveria aproveitar os descontos nos ativos para aumentar a sua exposição e colher as vantagens de ser early-adopter.
São 5 os principais fatores:
A aprovação de ETFs spot de bitcoin nos EUA em 2024 foi um grande marco. Gestoras como BlackRock e Fidelity, além de trazer capital, estão legitimando as criptomoedas como classe de ativo. Historicamente, ETFs são só o primeiro passo.
Fundos de pensão, bancos, empresas de investimento e governos devem seguir o mesmo caminho, assim como aconteceu com o ouro. Quando instituições tradicionais começam a enxergar valor em um ativo, isso não serve apenas como validação, mas também contribui para reduzir a volatilidade ao longo do tempo.
O avanço na regulação é uma questão crítica. Políticas favoráveis e regulamentações claras são necessárias para incentivar a adoção, enquanto medidas restritivas podem desacelerar o crescimento.
Mesmo em meio aos desafios macroeconômicos, o governo americano tem ensaiado um diálogo mais aberto com a indústria cripto, o que pode trazer mais previsibilidade ao setor.
Ainda assim, existem incertezas em torno do tema no curto prazo, como a questão da regulamentação das stablecoins e a passagem de bastão na SEC, com a chegada de Paul Atkins no lugar de Gary Gensler.
A criação da reserva estratégica de bitcoin nos EUA tende a gerar um efeito em cascata, incentivando outros países a adotarem medidas semelhantes para não ficarem para trás.
Inovações na escalabilidade de blockchains, como soluções de segunda camada, melhoram a capacidade de processamento de transações, reduzindo custos e favorecendo a acessibilidade.
Também temos uma evolução interessante do ecossistema DeFi acontecendo e os esforços cada vez maiores para integrar cripto ao mundo real — que ganham combustível com iniciativas como a tokenização de ativos físicos e parcerias entre blockchains e grandes players tradicionais.
Tudo isso reforça a utilidade prática dos ativos digitais e a confiança de investidores.
Por definição, os pioneiros são aqueles visionários que assumem riscos antes da maioria. E, por isso, tendem a ficar com as maiores recompensas.
Imaginem que, em 2010, um único bitcoin valia só alguns centavos de dólar. Em 2021, a moeda atingiu US$ 69 mil. Em 2025, US$ 109 mil. Mesmo com as correções recentes, quem comprou há cinco anos acumula mais de 10 vezes o investimento inicial.
A volatilidade, portanto, não é inimiga para quem tem sabedoria e paciência. Correções de 20% a 50% são comuns em ativos de alto crescimento, mas raramente são o ponto final da história. Quem sai correndo na primeira queda perde a chance de colher os frutos na maturidade.
Obviamente que os desafios e riscos são reais e variados. Eles estão tanto na macroeconomia, na política, no desenvolvimento do próprio mercado e nos cisnes negros, como foi a Covid — mas principalmente na natureza do investidor. Por isso, o mais importante é focar no que você pode controlar.
A maioria das perdas em cripto não é causada por fatores externos, mas resulta de erros comportamentais, como ceder ao FOMO (comprar no hype) e vender no pânico (FUD), além de não ter uma estratégia bem definida e encarar a criptoesfera como cassino.
Confira a minha coluna sobre como desenvolver a mentalidade certa para lucrar aqui.
Tudo começa na educação. Não adianta, não existe atalho. Desenvolva o entendimento da dinâmica do mercado, aprofunde o seu conhecimento nas tecnologias e estude os projetos em detalhes. Esse será o seu maior escudo na batalha contra a ansiedade.
Existem técnicas que também podem ser muito úteis para aliviar a pressão. A que eu sempre indico é o Dollar-cost averaging (DCA), na qual você compra ativos em intervalos regulares, independentemente do preço.
Outra maneira mais confortável de investir é optar pela alocação em blue chips, aquelas criptos que são mais resilientes a choques — geralmente entre o top 10/20 do ranking de capitalização de mercado.
Para encerrar, invista mais tempo em exercitar o seu autocontrole. Ao focar no longo prazo, você para de microgerenciar o seu portfólio e fica menos suscetível emocionalmente às flutuações frequentes.
No fim do dia, você precisa entender que está assistindo ao futuro na primeira fila!
Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | X | YouTube | Telegram | Tik Tok