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Stock market analysis on digital tablet (leungchopan/Envato/Reprodução)
Especialista em criptoativos
Publicado em 29 de março de 2025 às 11h00.
O mercado cripto está testando a paciência dos investidores — o controle emocional agora é o que vai fazer a diferença entre lucrar ou jogar a toalha. Neste ciclo de alta, o rodízio de emoções está difícil até para os mais experientes, imagine para quem está chegando.
A boa notícia é que a situação atual do mercado tem exigido uma maior racionalidade dos participantes. Os especuladores deram um passo atrás, enquanto os grandes investidores seguem acumulando cripto, baseados em indicadores e no potencial dos ativos digitais.
Essa semana, vimos uma breve reação do bitcoin, retomando o patamar dos US$ 88 mil, e de algumas altcoins, mas o movimento perdeu força e as criptomoedas recuaram, com ether, XRP e Solana caindo cerca de 6% no momento em que escrevo.
A política monetária do governo Trump está intensificando o cenário de incertezas.
A guerra tarifária vem gerando reações na Europa, China e Canadá — com destaque, essa semana, para a taxação das importações de automóveis. No curto prazo, o movimento acentua a tensão sobre o mercado como um todo.
Por outro lado, os analistas acreditam que, ao sentirem suas economias ameaçadas, as nações podem optar por estímulos financeiros para alavancar o crescimento. Esses incentivos injetam liquidez no mercado, beneficiando os ativos de risco.
Em relação à China, Trump ainda falou na possibilidade de reduzir as tarifas ao país se conseguir chegar a um acordo com a controladora do TikTok, a ByteDance. A empresa de tecnologia tem até 5 de abril para encontrar um comprador não chinês, podendo ser punida com banimento dos EUA. O presidente, inclusive, se mostrou disposto a estender o prazo para que o acordo seja alcançado.
Enquanto esperamos os desdobramentos da política de Trump, grandes players estão aumentando suas apostas no bitcoin. A varejista de entretenimento GameStop causou frisson ao anunciar que incluirá bitcoin no caixa. Também acabaram de adicionar mais moedas a seus portfólios a plataforma Rumble, concorrente do YouTube, e a empresa hoteleira japonesa Metaplanet.
Já os ETFs de bitcoin à vista dos EUA, porta de entrada de capital institucional, seguem há dez dias registrando fluxos positivos, com entradas líquidas de US$ 89 milhões na quinta-feira (27), de acordo com dados da SoSoValue. Mesmo sendo um valor mais modesto se comparado com o movimento do início deste ano, isso indica que, apesar do turbilhão, os institucionais continuam interessados em acumular.
Costumo fazer minhas análises semanais baseadas em, mais ou menos, 15 indicadores e resolvi trazer aqui três que são bastante simples, mas já nos dão uma pista do que podemos esperar.
O MVRV (Market Value to Realized Value) analisa a relação entre o preço realizado e o preço de mercado do bitcoin. Historicamente, tem funcionado como uma métrica interessante para identificar topos e fundos do bitcoin.
Nesse momento, observamos que o indicador está bem abaixo da zona de superaquecimento (faixa vermelha). Isso significa que o bitcoin está distante de níveis de euforia irracional — cenário que, historicamente, antecede correções abruptas e a transição para um mercado em baixa.
Além disso, o Z-Score aponta para abaixo de 2, sinal que, em ciclos anteriores, indicou boas oportunidades para acumulação.
Comparando com outros bull markets, esse comportamento sugere que o mercado ainda tem espaço para valorização — a exemplo do que aconteceu nas grandes correções do ciclo de 2017.
A oferta em poder dos holders de longo prazo está aumentando, refletindo um sentimento otimista em relação ao futuro do ativo.
Esses investidores geralmente vendem apenas quando acreditam que o preço atingiu um topo significativo. Ou seja: o fato de estarem acumulando sugere que consideram os preços atuais ainda baixos em relação ao potencial de valorização.
O Índice de Medo e Ganância reforça a predominância do sentimento de medo no mercado, reflexo da trajetória de correções do bitcoin desde o início de 2025.
Ao analisar o gráfico histórico, observamos um padrão recorrente: quedas de 30% — como a atual — foram registradas diversas vezes durante os ciclos de alta anteriores, como em 2017 e 2020. Essas retrações, embora desconfortáveis no curto prazo, são naturais e estruturalmente saudáveis em mercados de valorização acelerada.
A recente queda do bitcoin da casa dos US$ 100 mil para U$ 87 mil levou o Índice de Medo e Ganância a atingir níveis extremos de medo (10/100) — patamar comparável ao visto durante o colapso de 60% em 2022. Isso mostra uma desconexão entre a narrativa do mercado e os fundamentos, já que a correção atual é insignificante frente à volatilidade histórica do ativo.
O medo hoje sugere que os investidores inexperientes preferem ficar de fora do mercado. O resultado? Deixam oportunidades na mesa para os mais experientes, que tomam decisões baseadas em dados e não movidos à emoção — eles estão acumulando.
Embora os indicadores reforcem a tese de acumulação, o mercado não perde de vista possíveis turbulências à frente — um lembrete de que otimismo e cautela devem coexistir. Os próximos dias serão decisivos. Para 2 de abril, está previsto o início da política de tarifas recíprocas do governo americano. Isso deve trazer muita volatilidade ao mercado.
No pior dos cenários, consequências críticas dessa política poderiam aproximar mais os EUA de uma recessão, mas eu acredito em um desfecho negociado. Como dizem os analistas, o mercado é um dos poucos agentes que Trump realmente escuta.
Na minha opinião, nada mudou. Estou na expectativa de uma nova pernada de alta e aproveitei a correção para aumentar a minha exposição. Além de bitcoin, estou posicionado em altcoins como Celestia (TIA), The Graph (GRT), Plume (PLUME), Sandbox (SAND) e 0G (0G). Ao meu ver, todas com muito potencial de explodir nesta temporada. Volto a falar delas com mais detalhes em uma próxima coluna.