Repórter do Future of Money
Publicado em 26 de fevereiro de 2025 às 09h30.
O bitcoin atingiu nesta semana o seu menor preço em 2025 até o momento. Após despencar mais de 7% entre a noite de segunda-feira, 24, e a última terça-feira, 25, a criptomoeda foi negociada em um patamar abaixo dos US$ 90 mil pela primeira vez desde novembro. E a queda reverberou em todo o mercado cripto, com outros ativos desvalorizando ainda mais.
Segundo especialistas, a queda mais recente reflete um retorno do pessimismo entre investidores após Donald Trump confirmar que pretende impor tarifas contra o México e o Canadá. A perspectiva de guerras comerciais, alta nos preços e inflação potencialmente maior fortalecem um cenário macroeconômico adverso para as criptomoedas.
Desde o início de 2025, o bitcoin já vinha negociando entre lateralidades e queda, com dificuldade para retomar um preço acima dos US$ 100 mil. O cenário decorre tanto da correção de expectativas quanto aos próximos passos do Federal Reserve quanto ações do governo Trump para o setor ainda aquém do esperado por investidores.
Beto Fernandes, analista da Foxbit, avalia que "fevereiro não foi generoso com o bitcoin. Inclusive, este é o terceiro fevereiro da história em que o bitcoin vai terminar no vermelho. A última vez havia sido em 2020". Mesmo assim, o analista demonstra otimismo.
"Ainda há fundamentos que podem virar este jogo. Entre eles, a possibilidade de uma regulamentação mais flexível das criptomoedas nos Estados Unidos. Além disso, o fato da inflação ter acelerado por lá não necessariamente impede que o Fed faça, pelo menos, mais um corte de juros este ano. Ambos os cenários poderiam ser gatilhos favoráveis", diz.
Fernandes avalia ainda que o histórico do bitcoin ainda sugere novas altas nos próximos meses, mas que "cravar este movimento é impossível. Afinal, da mesma forma que há fundamentos positivos, há também os negativos, como o tarifaço de Trump, um potencial descontrole da inflação e as tensões geopolíticas. Tudo isso precisa estar no radar do investidor para que cada ação esteja dentro da estratégia".
"O curto prazo, de fato, parece bastante conturbado. Mas o médio e longo prazos tem potencial para mudar a perspectiva de fevereiro", estima.
Já Paula Reis, analista parceira da Ripio, afirma que "apesar do bitcoin ter atingido a mínima do ano de 2025, se analisarmos o gráfico de todo esse ciclo, vale lembrar que a tendência de alta em que estamos começou em 2023. E, desde então, o ativo nunca fez uma correção técnica".
Ela lembra que a criptomoeda "teve um momento de lateralização, ou uma pequena correção, mas está muito esticado". Em geral, momentos de grande lateralização costumam anteceder movimentos significativos de preço, seja de alta ou de queda, já que são momentos em que "os investidores estão acumulando ou reacumulando de uma forma que o próximo movimento seja mais amplo".
"Dessa forma, o que estamos observando no cenário atual da principal criptomoeda do mercado agora é uma correção de preços, o famoso zigue-zague de mercado, que é técnica. Ainda é importante esclarecer que, caso ele atinja o valor de US$ 80 mil, o bitcoin ainda estaria em uma correção técnica", diz.
Esses movimentos, porém, não devem alterar a sua "tendência macro, que começou em 2023, de alta. Pensando nas análises do halving, que ocorre de quatro em quatro anos, temos a probabilidade do bitcoin marcar seu topo histórico deste ciclo no segundo semestre deste ano".
"Isso porque, desde o evento de 2017, isso se repete no ano seguinte ao halving, nos meses de outubro ou novembro. Então, analiso essa correção atual positivamente, com o bitcoin tomando fôlego para sua reta final, e renovo minha análise de topo deste ano entre os US$ 130 mil e US$ 140 mil", projeta.
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