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NA SUA CESTA: A reinvenção do supermercado no GPA

No trabalho de recuperação dos negócios, varejista foca no público premium e tenta lidar com os problemas de passivos ainda altos e iminente mudança acionária

Pimentel: mais venda de ativ os podem acontecer ainda em 2025 (Exame/Exame)
Pimentel: mais venda de ativ os podem acontecer ainda em 2025 (Exame/Exame)
Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Publicado em 28 de fevereiro de 2025 às 10:02.

Última atualização em 28 de fevereiro de 2025 às 10:50.

Dono do Pão de Açúcar e do Extra, o GPA tem tentado se reorganizar nos últimos anos e deixar para trás uma fase desafiadora. 

Sob a liderança de Marcelo Pimentel desde 2022, o grupo tem se dedicado a um trabalho de reestruturação, com foco em reequilibrar suas finanças, aumentar a rentabilidade e reformular seu portfólio de marcas.  

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Vindo da Marisa, Pimentel atuou por anos no varejo. Antes de comandar a varejista de moda, também trabalhou no grupo de varejo farmacêutico DPSP e na antiga operação brasileira do Walmart.

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À frente do GPA, seu trabalho de reestruturação tem sido reconhecido. “Mais um trimestre de melhora na dinâmica de margem”, escreveu o time do Goldman Sachs sobre o resultado do quarto trimestre. No período, a receita líquida cresceu 6,9%, para R$ 5,22 bilhões, superando o consenso de mercado, enquanto a margem Ebitda cresceu 1,4 ponto percentual.  

Mas há um elefante branco no meio da sala quando se trata de GPA: a empresa ainda enfrenta desafios gigantes relacionados ao seu passivo tributário e trabalhista. Além da falta de visibilidade sobre a geração de caixa e lucros sustentáveis, acrescenta o relatório do banco. 

No quarto trimestre, a empresa reportou um prejuízo de R$ 1,1 bilhão, impactado por esses itens extraordinários que desafiam a trajetória de recuperação da varejista alimentar. 

O GPA já vendeu diversos ativos não essenciais, como sua sede e alguns postos de gasolina, e continua avançando na reorganização do portfólio para se concentrar no core business. Também reduziu sua alavancagem de 10 vezes Ebitda em 2022 para 1,6 vez em 2024. E mais movimentos do tipo ainda podem acontecer em 2025, segundo Pimentel.

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Mas o mercado também tenta entender qual será o futuro da empresa do ponto de vista acionário e de governança, enquanto seu ex-controlador, o grupo Casino, tenta se desfazer dos 22% que ainda detém da companhia. E não faltam indicações de interessados em entrar no negócio.  

Com a saída iminente do Casino, a companhia precisará se focar em reforçar sua estratégia de crescimento e se adaptar a novas condições de governança, garantindo que a execução de suas estratégias não seja prejudicada, defende o CEO. 

Mais premium, menos disputa por preço 

Uma das apostas centrais do GPA tem sido a ampliação da categoria de perecíveis, que agora representa mais de 50% das vendas do Pão de Açúcar. Pimentel explica que, além da qualidade superior, a expansão dos perecíveis visa aumentar a atratividade do supermercado e gerar um diferencial competitivo frente a outros players do mercado.  

O crescimento do e-commerce também tem sido um objetivo estratégico, com o GPA adotando um modelo de ship from store, onde o estoque das lojas físicas é utilizado para atender as demandas online. Esse modelo já mostra resultados positivos, com o e-commerce se tornando um dos canais mais rentáveis do grupo e já representando cerca de 12% das vendas.  

A expansão das lojas de proximidade Minuto Pão de Açúcar também tem se mostrado uma avenida de crescimento, com mais de 160 lojas abertas nos últimos três anos. “Era um negócio que estava também esquecido dentro da empesa, mas que vimos com clareza visando não atuar para todos, mas sim para um público alvo mais premium. E, conseguindo tirar proveito de uma estratégia comercial que demanda menos promoção.” 

Segundo ele, não vale entrar em uma guerra de preços. “A nossa base de clientes premium é o pilar do grupo. Buscamos oferecer uma experiência única e produtos diferenciados. O nosso foco é a qualidade e não a quantidade”, declara Pimentel. 

O futuro do Extra na batalha com o atacarejo 

Pimentel também se mostra otimista quanto ao sucesso do Extra, que busca se reinventar para competir no cenário de inflação, onde muitos consumidores têm migrado para os modelos de atacarejo, buscando preços mais acessíveis. A bandeira é a que exige mais trabalho de reformulação após os esforços concentrados no Pão de Açúcar.  

De acordo com o CEO, há um trabalho de educação a ser feito com os investidores sobre o papel do Extra dentro do portfólio. A marca é uma das líderes em algumas localidades como na Baixada Santista, onde detém 30% de participação de mercado.  

No Extra, a competição por preço acontece, mas é diferente, segundo ele. Mesmo na bandeira mais popular, Pimentel entende que o trabalho do grupo é “oferecer uma experiência diferenciada ao consumidor que busca qualidade, e não apenas barganha.” 

Uma vantagem que o modelo deve ter sobre os atacarejos é a oferta de produtos de marca própria, que desempenham um papel fundamental na fidelização de clientes. No Extra, a participação da marca própria do grupo, a Qualitá, supera 30%, segundo Pimentel. E mesmo no Pão de Açúcar a fatia é grande, motivando o grupo agora a lançar uma nova marca de produtos premium.  

Com o setor supermercadista buscando formas de melhorar suas operações, a queda de braço com o setor farmacêutico sobre a venda de medicamentos isentos de prescrição médica também é um ponto de interesse do grupo.  

Pimentel argumenta que a prática já é comum em outros mercados, como na Europa, e poderia trazer comodidade ao consumidor brasileiro, ao mesmo tempo em que diluiria custos operacionais, uma vez que a estrutura logística já está montada. “É uma oportunidade que poderia beneficiar tanto consumidores quanto empresas.”  

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

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