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Dan Ioschpe é vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ex-presidente do B20, fórum global do setor empresarial ligado ao G20 (Ricardo Stuckert/Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 2 de abril de 2025 às 17h58.
Última atualização em 3 de abril de 2025 às 10h08.
Faltava um nome estratégico a ser definido pelo governo a menos de oito meses da Conferência de Mudanças Climáticas da ONU (COP30) no Brasil: o de “Campeão do Clima” de alto nível ou high level champion (em inglês).
A nomeação já era esperada desde o anúncio de André Corrêa do Lago como presidente desta COP e Ana Toni como CEO executiva, em janeiro deste ano.
Com meses de atraso, o presidente Luiz Inácio da Silva oficializou a escolha nesta quarta-feira, 2: é o empresário Dan Ioschpe, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e ex-presidente do B20, fórum global do setor empresarial ligado ao G20.Dan Ioschpe, disse em comunicado oficial que espera poder apoiar a presidência da COP30 no avanço da ação climática, incluindo a transição energética, peça-chave para o combate à crise do clima e agenda na qual o Brasil é líder. "Sempre integrando o maior número possível de agentes da sociedade, capturando as diferentes iniciativas e oportunidades”, destacou.
O executivo também é presidente do Grupo Iochpe, um conglomerado de negócios em setores como agronegócio, indústria e educação, e foi um dos fundadores da Iochpe-Maxion, maior fabricante de rodas de aço do mundo. Atualmente, integra os conselhos de administração da WEG, Marcopolo e Embraer.
A definição quebrou as especulações de cotados como Marcello Brito, coordenador do centro de estudos do agronegócio da Fundação Dom Cabral, Txai Suruí, líder indígena atuante nos processos de COP e Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).
Gaúcho e economista de formação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),Dan terá como principal função fazer uma ponte entre os diversos atores da sociedade civil, setor privado e organizações não governamentais em relação às decisões e negociações nos âmbitos da COP e atuará conjuntamente com André do Lago e Ana Toni.
O embaixador André Corrêa do Lago disse que a escolha fortalece a equipe da presidência da COP30 significativamente. "Assim como demonstrou no G20 no Brasil, Dan poderá agora contribuir de forma extraordinária para conjugar as prioridades brasileiras para a COP e a ação do setor privado”, afirmou.
Ana Toni, CEO executiva, complementou que a experiência do executivo será fundamental para sairmos da promessa para a prática, em um ano crítico para a implementação da ação climática e dez anos após o histórico Acordo de Paris. "Precisaremos focar nossos esforços em um mutirão para implementar os acordos e iniciativas já firmadas, engajando agentes da economia real no cumprimento de nossas metas", disse.
Seu mandato é de dois anos e vai até a próxima COP31 em 2026, possivelmente com sede na Austrália. Na última COP29 em Baku, no Azerbaijão, a designada para o cargo foi Nigar Arpadarai, membro independente do parlamento nacional, e que seguirá atuando com Dan ainda neste ano.
O cargo, criado pela ONU na COP21 do Acordo de Paris, geralmente era concedido para agentes ligados a governos. A mudança no perfil só ocorreu após a nomeação de Gonzalo Muñoz na COP25 em Madrid, executivo responsável por introduzir o Sistema B na América Latina. O movimento global é o maior de empresas que geram impacto positivo e reúne mais de 300 negócios no Brasil.
À EXAME, o Sistema B disse receber com entusiasmo a nomeação e que tem atuado com consistência nesse espaço, desde a participação ativa com Muñoz como Champion, até a liderança do movimento NetZero 2030 na COP26, em Glasgow.
"Esperamos que a COP30 em solo brasileiro seja um marco de virada para que o setor empresarial adote, de forma ampla, modelos de negócio que gerem impacto positivo para as pessoas e o planet e vamos colaborar ativamente no processo de transição", destacou a organização.
A escolha de Dan pode ser interpretada como uma estratégia de aproximação e aceno à indústria, acreditam especialistas. No processo usual da ONU, apenas os 195 líderes de países signatários do Acordo de Paris tem poder de voto ou decisão nas negociações das COPs.
Em 20 de janeiro de 2025, o presidente americano Donald Trump ordenou a saída dos EUA do acordo logo após a sua posse: colocou em xeque o combate à crise climática sem o maior emissor global na mesa e intensificou o desafio na COP30 em Belém.