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COP16 termina com acordo sobre financiamento da biodiversidade, mas lacuna bilionária persiste

Países ricos e em desenvolvimento reafirmam meta de US$ 200 bilhões anuais até 2030, mas atrasos na arrecadação colocam compromisso em xeque

Para Michel Santos, gerente de políticas públicas do WWF-Brasil, os resultados da COP16.2 aumentam a expectativa para a COP30 (Bússola/Divulgação)

Para Michel Santos, gerente de políticas públicas do WWF-Brasil, os resultados da COP16.2 aumentam a expectativa para a COP30 (Bússola/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 28 de fevereiro de 2025 às 10h17.

A COP16.2, Conferência de Biodiversidade da ONU terminou nesta quinta-feira, 27, em Roma com avanços na definição de um sistema financeiro para viabilizar o Marco Global de Biodiversidade (GBF), mas ainda sem garantias de recursos suficientes. 

O principal resultado foi o acordo que prevê uma decisão em 2028 sobre o formato do futuro mecanismo financeiro. Segundo Efraim Gomez, diretor de Políticas Globais do WWF Internacional, o acordo representa um passo na direção certa, mas não é suficiente para conter a perda de biodiversidade e restaurar ecossistemas.

Os países ricos e em desenvolvimento reafirmaram seu compromisso em financiar US$ 200 bilhões por anos até 2030 para financiar a preservação da natureza, acordado anteriormente na COP15 de Montreal. Apesar do avanço, persiste a incerteza sobre a mobilização de recursos, já que as mesmas nações não cumpriram ainda a meta de arrecadar US$ 20 bilhões até 2025 para os países em desenvolvimento.

Os países também aprovaram uma estratégia para mobilização de recursos entre 2025 e 2030 e solicitaram um diálogo internacional entre ministros do Meio Ambiente e das Finanças para acelerar os investimentos.

Outra decisão relevante foi a definição do processo para a Revisão Global na COP17, que acontecerá em 2026, na Armênia, quando será avaliado o progresso na implementação do Marco Global da Biodiversidade.

Fundo Cali para a biodiversidade

Um dos destaques da conferência foi a consolidação do Fundo Cali, criado na Colômbia durante a primeira fase da COP16 para captar recursos de empresas que utilizam dados genéticos sequenciados digitalmente.

O fundo, que ainda aguarda contribuições, prevê que metade dos recursos seja destinada a povos indígenas e comunidades locais.

Durante a conferência, também foram aprovados indicadores para monitoramento do Marco Global da Biodiversidade, incluindo um que mede o impacto da produção e do consumo na natureza. No entanto, apenas 46 países apresentaram seus Planos de Ação Nacionais para a Biodiversidade, enquanto 150 ainda precisam atualizar seus compromissos até fevereiro de 2026.

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Para Michel Santos, gerente de políticas públicas do WWF-Brasil, os resultados da COP16.2 aumentam a expectativa para a COP30, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que será realizada no Brasil, em Belém.

A cúpula será um teste para integrar biodiversidade e clima em soluções conjuntas. "O Brasil tem a oportunidade de levar essa agenda adiante, demonstrando que biodiversidade e clima são inseparáveis", afirma.

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