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B3 reduz 88% das emissões com novo índice de carbono e mira investidores

"Não queremos ser apenas uma bolsa verde, mas ser o lugar onde empresas financiam sua transição", disse em entrevista exclusiva à EXAME, Ana Buchaim, vice-presidente da B3

Ana Buchaim, vice-presidente na B3: "Queremos ser a bolsa da transição" (Divulgação)

Ana Buchaim, vice-presidente na B3: "Queremos ser a bolsa da transição" (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 3 de abril de 2025 às 17h54.

Última atualização em 4 de abril de 2025 às 07h53.

"Ao invés de ser só uma bolsa verde [para empresas já sustentáveis], queremos ser a bolsa da transição, ajudando empresas a financiarem a mudança para uma economia de baixo carbono", disse em entrevista exclusiva à EXAME, Ana Buchaim, Vice-Presidente de Pessoas, Marketing, Comunicação, Sustentabilidade e Investimento Social da B3.

É com este propósito que a bolsa brasileira apostou recentemente na reformulação do seu Índice de Carbono Eficiente (ICO2), indicador que reúne as empresas listadas comprometidas com a redução de emissões de gases de efeito estufa e o único selo de credibilidade internacional alinhado à taxonomia verde da União Europeia.

A nova metodologia do ICO2 traz uma significativa evolução nos critérios de seleção das companhias e busca impulsionar a descarbonização, sendo como uma vitrine para atrair mais investidores.

Na prática, o selo é como um termômetro para quem quer aliar rentabilidade com impacto ambiental e comprar cotas de ETFs ou fundos que replicam a carteira do índice – como o "ETF Carbono Eficiente", por exemplo, ou outras ações verdes. 

"Entendemos que precisávamos evoluir os critérios junto com o tema da sustentabilidade, porque normalmente eles chegam num 'platô' e aquilo não é suficiente para gerar o movimento coletivo que queremos", destacou Ana.

Atualmente, a B3 possui aproximadamente 429 empresas listadas e 61 compõem o novo índice, levando a uma redução de 88% nas emissões.

"A reformulação trouxe um salto impressionante e mostra que rigor nos critérios gera resultado de uma carteira mais limpa. Todas estão entre as 25% melhores de seus setores", disse Ana.

Universo ampliado, emissões reduzidas

Uma das principais mudanças do novo índice foi a ampliação do universo de empresas elegíveis de 100 para 200. A B3 saiu do IBRX 100 e passou para o Ibra B3, dobrando o número de contempladas.

Por outro lado, os critérios passam a ser mais rigorosos. A nova metodologia seleciona apenas as 75% mais eficientes na relação entre emissões e receita e as avalia em 10 práticas: governança climática (supervisão do conselho e políticas formais de GEE), metas científicas de redução, análise de cenários climáticos, planos de transição setorial, avaliação financeira dos riscos, alocação de capital para projetos verdes, inventários completos de emissões e relatórios alinhados a padrões globais.

Para entrar no índice, as empresas precisam atingir uma "pontuação" de gestão de GEE mínimo e adotar pelo menos 4 das 10 práticas essenciais - sendo que 62% das selecionadas já cumprem 8 ou mais. 

Os avanços em governança climática são notáveis entre as empresas participantes, ressaltou Ana. "Em 97% delas,  o conselho supervisiona a questão climática, então você tem mais alto nível de gestão da organização envolvida", afirmou. Além disso, 80% têm as suas metas vinculadas ao clima e 93% fazem o reporte do CDP ou qualquer outra plataformaalinhada aos padrões globais TCFD e o IFRS.

Estratégia de sustentabilidade

Essa mudança nos critérios não está isolada – faz parte de uma estratégia maior da B3, que opera em três frentes: dados, negociação de créditos de carbono, e instrumentos de captação para transição.

Segundo Ana, no primeiro há uma plataforma de dados que se chama "ESG Workspace", em que a B3 coleta os dados públicos e também os gerados pelos próprios índices. Para a negociação de créditos, existe uma parceria com a ACX, que é a maior bolsa de créditos de carbono do mundo. Já o último pilar inclui "títulos temáticos", "selos de ações verdes" e "índices".

Protagonismo no mercado de carbono

A perspectiva para o Brasil no mercado de carbono é promissora e a bolsa já negocia créditos voluntários em parceria com a ACX, frisou Ana.

Segundo uma pesquisa recente, 15% de toda a necessidade de créditos do mundo pode ser financiado pelo país. Neste contexto, o papel de "bolsa de transição" ganha ainda mais protagonismo.

"Essa aposta complementa o ICO2: enquanto o índice direciona capital para empresas em transição, os créditos financiam projetos concretos de redução de emissões. Estamos preparando nossa infraestrutura para operar na regulamentação nacional, que deve ganhar força após a COP30 em Belém", concluiu a executiva.

Diversidade é um valor

Para Ana, a diversidade não é apenas uma questão de equidade, mas um ativo estratégico que impulsiona inovação e resultados. Como uma das primeiras mulheres a ocupar um cargo liderança na B3, ela testemunha os desafios da dupla jornada feminina, mas também os frutos de um ambiente que trabalha para ser cada vez mais plural.

Atualmente, 31% de mulheres estão em cargos de liderança na companhia e a meta é chegar a 35% até 2026.

"Com mais vozes diversas no topo, criamos repertórios complementares – do pragmatismo à análise crítica – que evitam vieses e abrem novos mercados", acrescentou. Além disso, Ana reforça que a B3 tem o primeiro índice da América Latina a medir simultaneamente gênero e raça nas empresas, transformando discurso em métricas concretas.

"Não basta incluir; é preciso institucionalizar a diversidade como motor de negócios", afirmou. Com metas ambiciosas, a B3 tenta virar a chave num mercado financeiro ainda majoritariamente masculino – onde mulheres como ela seguem sendo exceção e não regra.

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