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João Pedro Caleiro
Publicado em 10 de outubro de 2013 às 18h25.
São Paulo - Desde 1955 a indústria brasileira não tinha uma participação tão baixa no PIB (Produto Interno Bruto) do país. Só entre 2004 e 2012, a porcentagem foi de 19,2% para 13,3% - uma perda total de 30,8%. As conclusões são parte do estudo "Por que reindustrializar o Brasil?", divulgado hoje pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
Em 1947, primeiro ano em que há dados, a participação da indústria no PIB brasileiro era de 11,3%. Há um grande salto entre 1956 e 1961, com o Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek, e outro entre 1967 e 1974, com o "milagre econômico" ocorrido durante a ditadura militar.
Depois de um pico de 27,2% em 1985, começa o processo de desindustrialização. Cerca de metade da perda de participação da indústria no PIB ocorreu na década seguinte, entre 1985 e 1995, e a outra metade entre 1995 e hoje, com aceleração a partir de 2005. A Fiesp estima que em 2029, a porcentagem da indústria em relação ao PIB pode chegar a 9,3%.
Consequências
O argumento da Fiesp é que todos os 9 países que conseguiram dobrar sua renda per capita de 10 mil para 20 mil dólares tinham em comum uma participação de no mínimo 20% da indústria como parte do PIB. Para fazer o mesmo no espaço de 15 ou 20 anos, continua o raciocínio, o Brasil precisaria crescer 4% ao ano e reavivar sua indústria através de um projeto nacional de desenvolvimento.
A ideia de que a desindustrialização brasileira foi "prematura e nociva", no entanto, é controversa. O setor de serviços era muito menos importante e o perfil da economia mundial era outro quando as economias avançadas passaram pelo processo de dobrar sua renda. Além disso, é duvidoso que exatamente a taxa de industrialização tenha sido o fator determinante para o sucesso destas economias, que tinham muitas outras características em comum.