Redatora na Exame
Publicado em 5 de março de 2025 às 07h15.
A China estabeleceu uma meta ambiciosa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5% para 2025, reforçando o compromisso de impulsionar a economia em meio às tensões comerciais com os Estados Unidos.
Para viabilizar essa expansão, Pequim estabeleceu uma meta de déficit orçamentário de 4% do PIB, acima dos 3% dos anos anteriores e o maior nível desde 1994, sinalizando uma postura mais agressiva na política fiscal.
O plano foi apresentado nesta quarta-feira, 5, pelo primeiro-ministro Li Qiang no Congresso Nacional do Povo e prevê um gasto público mais robusto, com emissão de 1,3 trilhão de yuans (US$ 180 bilhões) em títulos soberanos de longo prazo e subsídios para estimular o consumo.
A meta de 5% é necessária "para estabilizar o emprego, prevenir riscos e melhorar o bem-estar da população", além de atender aos "objetivos de desenvolvimento de longo prazo", disse Li.
A decisão ocorre em um momento de pressão sobre as exportações chinesas, impactadas pelo aumento de tarifas dos EUA em 20%.
O governo também estabeleceu uma meta de inflação de 2% para 2025, abaixo dos 3% anteriores e o menor nível desde 2003.
Pequim anunciou também 4,4 trilhões de yuans em títulos especiais para infraestrutura e outros investimentos, superando os 3,9 trilhões de 2024.
A estratégia do governo também inclui um programa de trocas de bens de consumo, com 300 bilhões de yuans em subsídios para estimular a compra de veículos elétricos e eletrodomésticos.
Apesar das medidas, analistas alertam que os estímulos podem ter efeito limitado diante da queda da demanda global e da persistência da deflação na economia chinesa.