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A importância dos ativos internacionais em um portfólio 

Diversificação global como estratégia para reduzir riscos e maximizar retornos 

Dólar americano sobre outras moedas estrangeiras (Luis Robayo/AFP)

Dólar americano sobre outras moedas estrangeiras (Luis Robayo/AFP)

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Panorama Econômico

Panorama Econômico

Publicado em 17 de março de 2025 às 06h00.

Última atualização em 17 de março de 2025 às 17h37.

A frase “não coloque todos os ovos em uma única cesta”, criada no século XVII, ainda é muito usada quando carteiras de investimentos são elaboradas. A teoria da seleção de ativos em um portfólio, criada por Harry Markowitz, traz uma explicação positiva sobre regras para a diversificação de ativos com risco, mas essa diversificação será bem realizada dependendo do nível de correlação entre os ativos. 

O coeficiente de correlação, que varia entre -1 e 1, é uma medida estatística que determina a frequência com que duas variáveis se movem na mesma direção. Por exemplo, se a correlação entre dois ativos é de 0,70, significa que esses ativos caminharam na mesma direção 70% das vezes. 

A diversificação é um princípio fundamental da gestão de investimentos, e a diversificação internacional desempenha um papel estratégico na construção de portfólios resilientes e eficazes. Devido ao mercado internacional ser imensamente mais desenvolvido que o doméstico, investir além das fronteiras nacionais não é apenas uma opção, mas uma necessidade para quem busca mitigar riscos e maximizar retornos a longo prazo. Concentrar os investimentos em um único país expõe o portfólio a riscos econômicos, políticos e regulatórios específicos daquela região. A diversificação internacional reduz essa dependência, permitindo que o investidor dilua os impactos de eventos adversos locais, como recessões econômicas, crises políticas ou desastres naturais. 

Algumas vantagens da diversificação internacional podem ser mencionadas e comprovadas, tais como: 

  1. Redução de riscos específicos de mercado – A diversificação internacional oferece proteção contra riscos específicos de um único país ou região, como mudanças políticas, crises econômicas ou desastres naturais. Investir em mercados desenvolvidos, como os Estados Unidos ou Europa, e em mercados emergentes, como a Ásia ou América Latina, pode equilibrar as exposições a riscos. 
  2. Acesso a oportunidades de crescimento global – Os mercados internacionais oferecem acesso a setores e indústrias que podem não estar presentes no mercado doméstico, como tecnologia, biotecnologia e energias renováveis. O crescimento desses setores pode ser impulsionado por tendências globais, proporcionando uma forma de alavancar retornos em mercados fora do alcance local. 
  3. Maior liquidez – O mercado internacional, especialmente em economias desenvolvidas, oferece liquidez significativamente maior do que muitos mercados emergentes. Isso proporciona mais flexibilidade para comprar e vender ativos sem grandes distorções nos preços. 
  4. Proteção contra a volatilidade doméstica – Investidores expostos apenas a mercados domésticos podem enfrentar alta volatilidade e flutuações no valor de suas carteiras em resposta a eventos internos, como crises políticas ou alterações econômicas no país. A correlação entre o mercado brasileiro e os EUA, por exemplo, costuma ser moderada, o que significa que os ativos internacionais podem não ser tão sensíveis às oscilações domésticas. 

Exemplos Práticos de Diversificação Internacional 

Dados históricos mostram que, em períodos de crise, como a crise financeira global de 2008 e a pandemia de COVID-19 em 2020, os mercados internacionais reagiram de maneira distinta aos mercados domésticos, oferecendo proteção adicional para os investidores devidamente diversificados. 

Durante o período da crise de 2008, o índice MSCI World, que reúne ações de grandes empresas de mercados desenvolvidos, teve uma correlação de apenas 0,47 com o índice Bovespa (Ibovespa), o principal indicador de ações no Brasil. 

Outro exemplo relevante é a correlação entre o S&P 500 e os índices de mercados emergentes, como Brasil e Índia. No mesmo período, enquanto o mercado brasileiro caiu aproximadamente 60%, o S&P 500 caiu cerca de 38%. Embora ambos os mercados tenham sofrido quedas, a magnitude e os momentos dessas quedas não foram idênticos, o que permitiu aos investidores com uma carteira diversificada limitar suas perdas. 

Isso indica que, embora houvesse uma relação entre os mercados, a performance de um não determinava completamente o desempenho do outro, oferecendo aos investidores um nível de proteção por meio da diversificação internacional. 

Além disso, a diversificação internacional pode ser uma resposta inteligente para a tendência crescente de desvalorização das moedas locais frente ao dólar e outras divisas fortes. Historicamente, o real brasileiro tem se mostrado altamente volátil, tornando os investimentos em ativos denominados em dólares uma maneira de proteger o poder de compra e minimizar os efeitos da inflação interna. 

Diversificar investimentos no mercado internacional não é apenas uma questão de ampliar o portfólio, mas uma estratégia fundamental para reduzir riscos e buscar retornos superiores em um cenário globalizado. 

A correlação entre ativos domésticos e internacionais é uma variável-chave que não pode ser ignorada. Investir no exterior não é apenas uma oportunidade de se expor a mercados com perspectivas de crescimento, mas também uma forma de blindar-se contra riscos específicos de cada economia nacional. 

Em um mundo cada vez mais interconectado, a diversificação internacional se tornou uma das melhores práticas para investidores que buscam equilibrar seus portfólios e maximizar o retorno ajustado ao risco. 

Incorporar ativos internacionais pode ser uma das estratégias mais prudentes para alcançar estabilidade e rentabilidade no longo prazo. 

Mas lembrem-se de um ponto fundamental: é crucial sempre obedecer ao seu perfil de risco ao criar o seu portfólio para que não fique exposto à um risco que não tolera e que, muitas vezes, pode ocasionar perdas difíceis de serem revertidas e/ou recuperadas.  

Sobre o Autor 

Marco Harbich, MSc, CGA, CFP® 

  • Administrador de Empresas com MBA e mestrado em Finanças 
  • CEO e fundador da Gordon Family Office 
  • Professor no MBA de Mercado de Capitais da Universidade Presbiteriana Mackenzie 
  • Professor de certificações do mercado financeiro na FK Partners 
  • CFA Level I (candidate) 
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