Dólar americano sobre outras moedas estrangeiras (Luis Robayo/AFP)
Panorama Econômico
Publicado em 17 de março de 2025 às 06h00.
Última atualização em 17 de março de 2025 às 17h37.
A frase “não coloque todos os ovos em uma única cesta”, criada no século XVII, ainda é muito usada quando carteiras de investimentos são elaboradas. A teoria da seleção de ativos em um portfólio, criada por Harry Markowitz, traz uma explicação positiva sobre regras para a diversificação de ativos com risco, mas essa diversificação será bem realizada dependendo do nível de correlação entre os ativos.
O coeficiente de correlação, que varia entre -1 e 1, é uma medida estatística que determina a frequência com que duas variáveis se movem na mesma direção. Por exemplo, se a correlação entre dois ativos é de 0,70, significa que esses ativos caminharam na mesma direção 70% das vezes.
A diversificação é um princípio fundamental da gestão de investimentos, e a diversificação internacional desempenha um papel estratégico na construção de portfólios resilientes e eficazes. Devido ao mercado internacional ser imensamente mais desenvolvido que o doméstico, investir além das fronteiras nacionais não é apenas uma opção, mas uma necessidade para quem busca mitigar riscos e maximizar retornos a longo prazo. Concentrar os investimentos em um único país expõe o portfólio a riscos econômicos, políticos e regulatórios específicos daquela região. A diversificação internacional reduz essa dependência, permitindo que o investidor dilua os impactos de eventos adversos locais, como recessões econômicas, crises políticas ou desastres naturais.
Algumas vantagens da diversificação internacional podem ser mencionadas e comprovadas, tais como:
Dados históricos mostram que, em períodos de crise, como a crise financeira global de 2008 e a pandemia de COVID-19 em 2020, os mercados internacionais reagiram de maneira distinta aos mercados domésticos, oferecendo proteção adicional para os investidores devidamente diversificados.
Durante o período da crise de 2008, o índice MSCI World, que reúne ações de grandes empresas de mercados desenvolvidos, teve uma correlação de apenas 0,47 com o índice Bovespa (Ibovespa), o principal indicador de ações no Brasil.
Outro exemplo relevante é a correlação entre o S&P 500 e os índices de mercados emergentes, como Brasil e Índia. No mesmo período, enquanto o mercado brasileiro caiu aproximadamente 60%, o S&P 500 caiu cerca de 38%. Embora ambos os mercados tenham sofrido quedas, a magnitude e os momentos dessas quedas não foram idênticos, o que permitiu aos investidores com uma carteira diversificada limitar suas perdas.
Isso indica que, embora houvesse uma relação entre os mercados, a performance de um não determinava completamente o desempenho do outro, oferecendo aos investidores um nível de proteção por meio da diversificação internacional.
Além disso, a diversificação internacional pode ser uma resposta inteligente para a tendência crescente de desvalorização das moedas locais frente ao dólar e outras divisas fortes. Historicamente, o real brasileiro tem se mostrado altamente volátil, tornando os investimentos em ativos denominados em dólares uma maneira de proteger o poder de compra e minimizar os efeitos da inflação interna.
Diversificar investimentos no mercado internacional não é apenas uma questão de ampliar o portfólio, mas uma estratégia fundamental para reduzir riscos e buscar retornos superiores em um cenário globalizado.
A correlação entre ativos domésticos e internacionais é uma variável-chave que não pode ser ignorada. Investir no exterior não é apenas uma oportunidade de se expor a mercados com perspectivas de crescimento, mas também uma forma de blindar-se contra riscos específicos de cada economia nacional.
Em um mundo cada vez mais interconectado, a diversificação internacional se tornou uma das melhores práticas para investidores que buscam equilibrar seus portfólios e maximizar o retorno ajustado ao risco.
Incorporar ativos internacionais pode ser uma das estratégias mais prudentes para alcançar estabilidade e rentabilidade no longo prazo.
Mas lembrem-se de um ponto fundamental: é crucial sempre obedecer ao seu perfil de risco ao criar o seu portfólio para que não fique exposto à um risco que não tolera e que, muitas vezes, pode ocasionar perdas difíceis de serem revertidas e/ou recuperadas.
Sobre o Autor
Marco Harbich, MSc, CGA, CFP®