Redação Exame
Publicado em 14 de abril de 2025 às 09h17.
Uma empresa de biotecnologia sediada nos Estados Unidos anunciou o nascimento de três filhotes desenvolvidos a partir da edição genética de lobos modernos. O objetivo foi resgatar traços do lobo terrível (dire wolf), um predador que habitou a América do Norte na era glacial.
Batizados de Romulus, Remus e Khaleesi, os animais apresentam mudanças em seu DNA que buscam aproximá-los das características atribuídas aos lobos terríveis, como corpos mais robustos e pelagens claras. A iniciativa foi possível graças à aplicação de técnicas de biologia sintética e edição genética de alta precisão.
O procedimento começou com a extração de DNA de fósseis antigos, como dentes e ossos preservados por milênios.
Após o sequenciamento do material genético dos lobos extintos, os pesquisadores compararam os dados com os de lobos cinzentos atuais. Foram identificadas cerca de 20 diferenças genéticas relevantes, modificações chamadas de polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs).
Utilizando a ferramenta CRISPR-Cas9, os cientistas editaram essas pequenas variações no genoma dos lobos vivos. As células alteradas foram usadas para gerar embriões, que foram implantados em cães domésticos como mães de aluguel.
Apesar do sucesso em replicar traços físicos, especialistas destacam que as alterações realizadas representam apenas uma fração mínima das diferenças genéticas entre as espécies.
Estima-se que lobos terríveis e lobos cinzentos tenham divergido há mais de 300.000 anos, acumulando variações genéticas muito além dos 20 SNPs modificados.
Os filhotes vivem atualmente em uma área de 2.000 acres isolada, equipada com cercas de segurança. A expectativa é monitorar seu comportamento e avaliar como esses animais interagem em um ambiente mais naturalizado.
Lobo-terrível: empresa disse ter criado lobo extinto há mais de 13 mil anos (YouTube/Reprodução)
A mesma empresa trabalha em outros projetos de "ressurreição genética", como a tentativa de criar elefantes adaptados ao frio, inspirados nos mamutes-lanosos. Segundo os cientistas envolvidos, as técnicas desenvolvidas podem beneficiar a conservação de espécies ameaçadas, oferecendo alternativas para combater problemas como a perda de diversidade genética.
Entretanto, o surgimento de animais "híbridos" reacende debates sobre os riscos ecológicos e a prioridade de proteger as espécies atualmente ameaçadas. Especialistas alertam que liberar organismos modificados em ecossistemas pode gerar efeitos imprevisíveis.
O projeto, apesar de não trazer de volta o lobo terrível, amplia as fronteiras da engenharia genética e levanta questões importantes sobre o futuro da biotecnologia e da conservação ambiental.