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Ageless: como a longevidade e a tecnologia moldam o futuro das gerações

Mauro Wainstock reflete sobre o impacto da tecnologia, a evolução das gerações e a importância de viver com propósito

 (shapecharge/Getty Images)

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Publicado em 28 de fevereiro de 2025 às 15h00.

Por Mauro Wainstock*

Ainda estou aqui para viver mais e melhor. Nasci no “ano que não terminou”, 1968, exatamente 10 dias antes da implementação do Ato Institucional número 5, instituído pelo Governo Militar.

Ao longo da minha vida, acompanhei renúncia, queda e falecimento de presidentes; inflações que chegavam a 2000% ao ano; moedas cujos nomes variavam criativamente do cruzeiro para o cruzado e do cruzado para o cruzeiro.

Era uma época em que participar de redes sociais era estar presencialmente em uma roda de amigos.

Era um tempo em que os telefones fixos não enviavam longos áudios, mas permitiam agradáveis conversas ao vivo.

As bancas de jornais vendiam jornais. As TVs exibiam a programação de apenas quatro emissoras e tínhamos que escolher entre elas ou ouvir estações de rádio, sem fones de ouvido.

As transformações tecnológicas e a surpresa do futuro

Tive o privilégio de maratonar Os Jetsons e sempre tive a certeza de que carros voadores, videoconferências, telemedicina e robôs domésticos só seriam possíveis nas produções de ficção científica.

Videolocadoras disponibilizavam VHS com filmes que eu torcia para encontrar quando fosse lá e esquecia de rebobinar quando voltava para devolver a fita.

Lembro também dos orelhões na rua, em que a privacidade era zero e as filas imensas. E das enciclopédias impressas que nos obrigavam a pesquisar e a ler.

Recordo das máquinas de escrever, que imprimiam simultaneamente tudo o que se escrevia (sem uso de impressoras); e das cartas, que chegavam 15 dias depois do envio – nada parecido com as mensagens de hoje que são entregues em menos de 5 segundos após um clique.

Não havia corretor ortográfico, mensagens automáticas ou digitalização cerebral. Escrevíamos nos cadernos de caligrafia e no papel almaço. E depois passávamos a limpo. Mais crescidos, fazíamos cursos de datilografia.

Vivenciei inovações históricas, como a chegada do walkman, tocador de fitas cassete portátil da Sony; do irresistível Atari 2600 e do viciante Pac-Man; a criação do primeiro computador brasileiro, que pesava mais de 60 kg e tinha apenas 4 kb de armazenamento; a chegada da Internet com acesso discado, do teletrim e do Motorola PT-550, celular conhecido como "tijolão", cuja habilitação para funcionar custava mais de US$ 22 mil.

Agora estou me adaptando a esta tal era da inteligência artificial, onde a habilidade de fazer as perguntas certas exige repertório e bom senso.

A revolução silenciosa da longevidade

Mas hoje, no mundo real, estou tendo o privilégio de presenciar uma das principais e mais empolgantes revoluções da história. Uma transformação que ocorre de forma acelerada e silenciosa, quase despercebida: a longevidade.

Com isto, a principal questão do nosso dia a dia passa a ser: como estamos agindo para oferecer, além de anos adicionais, maior qualidade de vida aos humanos?

O momento atual é complexo e estimulante. São sete gerações convivendo na nossa sociedade, sendo seis delas atuantes no mercado de trabalho.

A exceção é a Geração Beta (nascidos entre 2025 e 2039). É a primeira a surgir depois da pandemia de Covid-19. Crescerá em um espaço onde a inteligência artificial estará integrada em diversos aspectos da vida cotidiana, desde assistentes virtuais até carros autônomos. Vai interagir de forma comum com elementos digitais sobrepostos à realidade física. Herdará um planeta com desafios ambientais significativos.

Com cerca de 2,6 milhões de nascimentos por semana, a Geração Beta somará mais de 2 bilhões de pessoas até 2039. Uma pesquisa da seguradora Prudential, realizada com mais de 2 mil americanos, revelou que 70% acreditam que os profissionais desta geração trocarão de emprego pelo menos dez vezes.

Reflexões para o futuro

Diante desse cenário, algumas reflexões se tornam essenciais:

  • Como você, em sua vida pessoal e profissional, tem se preparado para navegar nesse universo tão plural e diverso?
  • O que sua empresa tem feito para criar um ambiente inclusivo e harmônico, onde a troca de conhecimentos e experiências seja verdadeiramente incentivada?

Ainda estou aqui com um propósito: viver a outra metade da minha vida de forma antenada, agregadora, equilibrada e deixar um legado. E também quero ver o meu pai, que nasceu em 1939 e está muito ativo profissionalmente, ter a oportunidade de interagir com a Geração Gama, grupo que vai nascer justamente no ano do seu centenário.

Para finalizar, deixo uma reflexão: por que ainda insistimos em dividir os humanos em grupos geracionais? Por que falamos tanto em afinidades, mas criamos rótulos baseados exclusivamente no ano do nascimento e não em interesses, posturas e comportamentos?

Somos todos "Sub 100", temos muito a aprender e a ensinar.

Bora aproveitar a longevidade para fazer acontecer cada vez mais!

*Mauro Wainstock é o 16º influenciador do mundo em Diversidade e inclusão, foi nomeado LinkedIn TOP VOICE (3 selos), é diretor da Associação Brasileira dos Profissionais de Recursos Humanos, membro do Instituto Brasileiro de ESG, conselheiro de empresas, palestrante e consultor sobre Comunicação Intergeracional.

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