Agência de notícias
Publicado em 20 de junho de 2024 às 07h32.
Última atualização em 20 de junho de 2024 às 07h37.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) definiu, após jantar com partidos da base aliada nesta quarta-feira, que o Partido Liberal vai indicar o seu vice na disputa das eleições municipais, mas não cravou o ex-coronel da Polícia Militar Ricardo Mello Araújo (PL). Ele disse que ainda devem ser acertadas “algumas questões”, mas o anúncio deve sair na sexta-feira. Outros nomes sugeridos pelo partido são as vereadores Rute Costa e Sonaira Fernandes.
"Foi conversado ali e ninguém tem nenhuma objeção com o nome do coronel, da Rute, da Sonaira, da Zulaiê Cobra, zero, objeção nenhuma. E chegamos a um consenso: a indicação será do PL" disse.
Nos últimos dias, Nunes vinha citando com mais frequência o nome de Mello Araújo, que em sua visão tem “mais força” por ser uma indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Agora, citou outros nomes e cravou que o partido ficará com a indicação.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) também comemorou o consenso e disse que houve “zero objeção” de todas as legendas em torno do PL ganhar protagonismo na escolha.
" Foi excelente jantar, há uma convergência absoluta em torno do projeto. Está muito perto da gente estabelecer um consenso, é super difícil. O PL é o maior partido, vai indicar o vice, está todo mundo abrindo mão de espaço e de ambição em prol desse projeto. E alguns detalhes vamos anunciar nos próximos dias. Temos excelentes quadros em todos os partidos, o nome do coronel é zero objeção por parte dos partidos. Mas vamos fazer mais uma ou duas conversas pra gente decidir",afirmou Tarcísio.
O jantar, organizado pelo governador com o intuito de chegar a um consenso em torno do vice, começou por volta das 20h30 e reuniu presidentes nacionais de 11 das 12 legendas que apoiam Nunes. O União Brasil foi o único que não compareceu, mas participou do encontro de forma online, representado pelo presidente da Câmara Municipal, Milton Leite.
Leite é um dos que resiste à indicação, e sugeriu diversos quadros de sua sigla para o posto.
O nome do coronel aposentado da Polícia Militar foi sugerido por Bolsonaro em janeiro, mas o prefeito vem adiando a escolha tentando conciliar os seus interesses com os dos aliados bolsonaristas e de outros partidos de sua base, que aventaram outros nomes.
O prefeito vem resistindo à indicação de Araújo por vários motivos. Um deles é que ele tem reforçado a “frente ampla” que montou, agregando tanto partidos da direita quanto de centro. O fato de que São Paulo não é uma cidade bolsonarista é um ponto de atenção de sua pré-campanha, pois a maioria dos paulistanos votou em Lula e em Fernando Haddad em 2022 e pesquisa Datafolha de maio mostrou que Bolsonaro é um padrinho rejeitado por 61% dos eleitores, contra 45% de Lula.
Outro ponto é que Nunes não tem relação próxima com Araújo, e os dois haviam se encontrado poucas vezes até recentemente. Os encontros ocorreram quando Araújo era presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), entre 2020 e 2022. A pré-campanha do emedebista também avalia que a chegada de um ex-comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) da PM pode trazer à baila com mais força o tema da segurança pública, que é uma seara que o prefeito quer evitar em seus discursos porque a competência principal para resolver o problema é do governo estadual.
Em 24 de maio, o PRTB anunciou que o ex-coach Pablo Marçal (PRTB) é pré-candidato à prefeitura de São Paulo. No dia 29, pesquisa Datafolha mostrou que Marçal tem 7% das intenções de votos, o que acendeu um sinal de alerta nos adversários indicando que a novidade pode bagunçar o cenário eleitoral a quatro meses da eleição.
A possibilidade de Marçal de atrair o eleitorado bolsonarista virou argumento para o PL de Bolsonaro reforçar a indicação de Araújo.
O ex-coach chegou a se reunir com Bolsonaro e postar uma foto ao lado dele em suas redes sociais. Apesar do ex-presidente garantir que seu apoio é de Nunes, aumentou a pressão para que o emedebista deixasse cada mais claro seu alinhamento — e aceitar Mello Araújo em sua chapa seria esse sinal explícito.
A chegada de Marçal na disputa também fez Tarcísio passar a defender o ex-presidente do Ceagesp, o que até então ele não tinha feito. Na semana passada, o governador disse que estava “fechado com Bolsonaro” e afirmou que, “pela mudança de cenário”, era importante definir o vice “o mais rápido possível”. Essa fala foi mais um peso importante para o emedebista.
Na última sexta, 14, Nunes recebeu o ex-presidente, o governador e Mello Araújo na Prefeitura, onde os quatro almoçaram e se encaminharam para o acerto. Desde então, Nunes e Tarcísio tem conversado com outros partidos aliados para buscar conciliação em torno da escolha.