Brasil

Senado aprova MP autorizando estados e municípios a comprarem vacinas

A medida aprovada pelos parlamentares dá prazo de sete dias para a Anvisa decidir sobre a autorização de uso emergencial e temporário de vacinas que tenham recebido aval de outros países

 (Ricardo Moraes/Reuters)

(Ricardo Moraes/Reuters)

AA

Alessandra Azevedo

Publicado em 2 de março de 2021 às 18h55.

Última atualização em 2 de março de 2021 às 19h19.

O Senado aprovou, nesta terça-feira, 2, a Medida Provisória (MP) que autoriza estados e municípios a comprar vacinas contra a covid-19 caso o governo federal não adquira doses suficientes para atender a população. O texto, que agora vai para sanção do presidente Jair Bolsonaro, também permite a compra de imunizantes sem necessidade de licitação, mesmo antes do registro ou autorização emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A ideia é "remover obstáculos para que o poder público possa comprar as vacinas de diferentes fornecedores ao redor do mundo, por preços diferenciados e sem realizar procedimentos licitatórios, com a devida previsão legal", diz o parecer do relator da proposta na Câmara, Pedro Westphalen (PP-RS). O relator no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), recomendou a aprovação do texto sem alterações, para que não precisasse voltar para análise dos deputados.

Sem a previsão na lei para compra com dispensa de licitação, os governantes poderiam ser responsabilizados por possíveis atos ilegais, além de dano ao erário. Segundo Randolfe, a MP aprovada nesta terça estabelece a "possibilidade de municípios e estados também poderem adquirir imunizantes, criando um enorme mutirão em prol das vacinas". 

A MP também acelera a aprovação de vacinas contra a covid-19 no país ao estabelecer o prazo de sete dias para que a Anvisa decida sobre a liberação de imunizantes já autorizados por pelo menos uma de uma lista de 11 agências estrangeiras. Entre elas, estão o órgão regulador da Índia, que já autorizou o uso da Covaxin, prevista para ser adquirida pelo governo federal, e a agência russa, que aprovou a Sputnik V.

Também estão na lista as agências dos Estados Unidos, da União Europeia, do Japão, da China, do Canadá, do Reino Unido, da Coreia do Sul, da Austrália e da Argentina. O prazo atual é de 10 dias, se a vacina já tiver passado pela fase 3 de testes no Brasil. A MP acaba com a cobrança pela conclusão da fase 3, mas exige que autoridades internacionais comprovem os padrões de qualidade em relatório técnico. Sem isso, o prazo é de 30 dias.

O Ministério da Saúde já anunciou a compra das vacinas Sputnik V e Covaxin, sem licitação, mas elas ainda não têm autorização da Anvisa. A previsão é de uma despesa de 2,3 bilhões de reais. As vacinas só poderão ser aplicadas depois que a agência liberar o uso emergencial. As empresas ainda precisam enviar informações relativas à segurança e à eficácia dos imunizantes.

Antes da votação na Câmara, o relator retirou um trecho do parecer que permitia que a iniciativa privada comprasse vacinas contra a covid-19. Mesmo com a obrigatoriedade de que metade desses imunizantes adquiridos fossem para o Sistema Único de Saúde (SUS), a permissão não foi bem aceita. O assunto, no entanto, foi retomado em outro texto. A Câmara aprovou, também nesta terça-feira, um projeto de lei que permite a compra de vacinas pela iniciativa privada

Acompanhe tudo sobre:CoronavírusPandemiaSaúde no BrasilSenadovacina contra coronavírusVacinas

Mais de Brasil

Moraes determina que plataforma Rumble indique representante legal no Brasil

Moraes nega pedido da defesa de Bolsonaro e mantém prazo de 15 dias para contestação de denúncia

Defesa de Bolsonaro diz que vai pedir anulação da delação de Cid

Justiça anula decisão do Ibama que reduziu geração de energia em Belo Monte