Brasil

Prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, é preso em operação da PF

Gean é suspeito de participar de uma organização criminosa que violaria o sigilo de operações policiais em Santa Catarina

Gean Loureiro: prefeito de Florianópolis foi preso nesta terça-feira pela Polícia Federal (Youtube/Reprodução)

Gean Loureiro: prefeito de Florianópolis foi preso nesta terça-feira pela Polícia Federal (Youtube/Reprodução)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 18 de junho de 2019 às 12h38.

Última atualização em 18 de junho de 2019 às 12h39.

Florianópolis - A Policia Federal (PF) prendeu na manhã desta terça-feira, 18, o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (sem partido); o delegado Fernando Caieron, da própria PF; e o ex-secretário estadual da Casa Civil Luciano Veloso Lima.

Eles são suspeitos de participar de uma organização criminosa que violaria o sigilo de operações policiais em Santa Catarina, além de construir um esquema para bloquear o monitoramento de órgãos públicos.

Operação Chabu

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira, 18, a Operação Chabu para desarticular uma organização que violava sigilo de operações policiais em Santa Catarina. O grupo contava com uma rede de políticos, empresários e agentes da PF e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Além de vazar informações, o grupo contrabandeava equipamentos de contra inteligência.

Agentes cumprem 30 mandados, sendo 23 de busca e apreensão e sete de prisão temporária, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Os crimes foram descobertos a partir da análise dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018.

A PF identificou que a organização criminosa teria formado uma rede de políticos, empresários e servidores da própria corporação e também da PRF lotados em órgão de inteligência e investigação.

Segundo a PF, o grupo "embaraçava investigações policiais em curso e protegia o núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas".

A investigação apurou ainda que a quadrilha vazava sistematicamente informações sobre operações policiais que ainda seriam deflagradas e também contrabandeava equipamentos de contra inteligência para montar "salas seguras", à prova de monitoramento, em órgãos públicos e empresas.

A PF investiga associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa e tentativa de interferir em investigação penal que envolva organização criminosa.

"Falha"

A Polícia Federal ressaltou que o nome da operação, "Chabu", significa "dar problema, dar errado, falha no sistema". "O termo é utilizado em festas juninas quando falham fogos de artifício e era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a acontecer", destacou a PF.

Defesas

Gean Loureiro estava prestando depoimento à polícia no final da manhã desta terça-feira. A assessoria de imprensa da Prefeitura afirmou que vai esperar ter mais informações para se pronunciar. A reportagem não localizou os advogados de Caieron e de Veloso Lima, que atuou na gestão do ex-governador do Estado Pinho Moreira (MDB), em 2018. O espaço está aberto para as manifestações dos citados.

Acompanhe tudo sobre:FlorianópolisPolícia FederalPrefeitosPrisõesSanta Catarina

Mais de Brasil

Censo da Fiocruz aponta indústrias de IFA no mesmo patamar de 2013, mas com potencial de expansão

Primeiras ondas de frio chegam ao Brasil em abril — mas calor ainda deve predominar

Anvisa emite alerta sobre cremes dentais com fluoreto de estanho após relatos de lesões orais