Condomínio do Programa Minha Casa, Minha Vida, em Guadalupe, zona norte do Rio (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 5 de abril de 2025 às 08h37.
O governo federal anunciou nesta semana novas alterações no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) para atender as famílias de classe média. Em entrevista exclusiva à EXAME, o ministro das Cidades, Jader Filho, responsável pela coordenação do programa, destaca cinco pontos essenciais para a população se informar sobre a nova faixa e outras mudanças do programa.
A expectativa é que 240 mil unidades habitacionais sejam contratadas nessa faixa até 2026, o que faz parte de um total de 3 milhões de unidades previstas para serem entregues ao fim do mandato do governo.
A principal mudança é a criação de uma nova faixa de financiamento, voltada para famílias com renda mensal entre R$ 8 mil e R$ 12 mil.
Nessa nova faixa, as famílias poderão financiar imóveis de até R$ 500 mil, um aumento significativo em relação ao limite anterior de R$ 350 mil.
Além disso, as taxas de juros serão reduzidas de 11,5% para 10,5% ao ano, uma medida que visa tornar o financiamento mais acessível para a classe média. A contratação de imóveis para a nova faixa começará a partir de maio, segundo o ministro.
A Faixa 3, que atende famílias com renda entre R$ 4.400 e R$ 8 mil, também se beneficiará da alteração.
Assim como na Faixa 4, as famílias poderão financiar imóveis de até R$ 500 mil, o que amplia as opções para este público.
O ministro destaca que a alteração visa garantir que mais famílias tenham acesso à casa própria, mesmo em uma faixa de renda intermediária.
O governo também estuda flexibilizar as limitações de financiamento para imóveis usados. Em 2024, houve um ajuste no programa, limitando o financiamento de imóveis usados, para priorizar a construção de imóveis novos.
O ministro indicou que, para 2025, o governo está considerando a revisão dessas restrições, especialmente em regiões onde a demanda por imóveis usados não é tão alta.
Com a nova faixa de financiamento, o governo espera aumentar a contratação de imóveis e gerar um impacto econômico significativo, especialmente no setor da construção civil, que tem sido um dos principais motores do crescimento nos últimos anos.
Além das mudanças no financiamento, Jader Filho disse que o governo prepara novos programas voltados para a melhoria da qualidade das moradias.
Em breve, o governo deve lançar uma iniciativa para financiar reformas em imóveis, com foco na construção de banheiros e melhorias em infraestrutura básica. A EXAME antecipou a informação em março.
A meta do governo é garantir que todas as famílias, especialmente as de áreas carentes, possam ter acesso a condições mínimas de habitabilidade.
Segundo o ministro, o impacto do programa Minha Casa, Minha Vida na economia é claro. Nos últimos anos, o setor de construção civil foi responsável por 54% dos lançamentos imobiliários no Brasil, com um crescimento de PIB setorial que superou a média nacional.