Vista da sede da Anvisa em Brasília (Ueslei Marcelino/Reuters)
Alessandra Azevedo
Publicado em 6 de janeiro de 2022 às 16h54.
Última atualização em 6 de janeiro de 2022 às 17h12.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se encontra nesta quinta-feira, 6, com representantes do Instituto Butantan e especialistas de sociedades médicas para avaliar o uso da vacina Coronavac contra a covid-19 em crianças. A decisão definitiva, no entanto, não deve sair dessa reunião. A agência continuará o processo de análise dos dados.
Na terça-feira, 4, o Instituto Butantan, que produz a Coronavac em parceria com o laboratório chinês Sinovac, informou que um estudo de fase 3 feito na África do Sul com bebês de 6 meses a adolescentes de 17 anos de idade concluiu que a vacina é segura para essa faixa etária.
Os resultados das fases 1 e 2 do estudo, publicados na revista Lancet em junho, mostram que há forte resposta imune no público de 3 a 17 anos. O uso da Coronavac no público infantil já foi aprovado em alguns países, como China, Chile, Colômbia e Indonésia.
No Brasil, entretanto, a Coronavac ainda não tem registro definitivo, e, em agosto, a Anvisa negou pedido para que a vacina pudesse ser aplicada em crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. Na ocasião, os técnicos mantiveram a autorização de uso emergencial para adultos, aprovado em janeiro, e cobraram mais dados sobre o desempenho da vacina.
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou em dezembro que reservaria 12 milhões de doses da Coronavac para aplicação em crianças de 3 a 11 anos. A meta, no estado, é começar a vacinar o público infantil assim que a Anvisa der o sinal positivo.
Por enquanto, o único imunizante que tem autorização da Anvisa para ser aplicado em crianças de 5 a 11 anos é o da Pfizer. A agência deu aval para uso nessa faixa etária em 16 de dezembro. Segundo o Ministério da Saúde, as aplicações devem começar ainda em janeiro, quando devem chegar 3,7 milhões de doses pediátricas da Pfizer ao Brasil.